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segunda-feira, junho 18, 2007

Homem Sagaz


José da Silva era um homem sagaz. Hoje, com 35 anos, depois de ter sofrido um acidente aos 22, perdido os pais, ficou à margem da sociedade vivendo nas ruas e vendendo chicletes e doces nos sinais. Esta tarde estava muito ensolarada e bem perto do asfalto, em sua cadeira de rodas improvisada, ele sentia o calor das 2 da tarde emanando do asfalto e esquentando infernalmente o ar ali em baixo. Quando ficou vermelho, ele, com seu boné, foi se dirigindo entre as duas fileiras de carros para pedir esmola para os dois lados. Na primeira fila de carros não ofereceram nada, na segunda, o motorista ofereceu umas moedas que quase cairam no chão por que o sinaleiro tinha se tornado verde. Neste momento ele já tinha que ter saido da rua e deveria estar na calçada, descansando, mas os carros já haviam partido e ele ficou no meio das filas tentando sair. Como todos estavam com muita pressa ele desistiu, e ficou alí observando os prédios, as nuvens e sua vida em perigo, enquanto os carros passavam a toda velocidade por seu lado.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Declaração do Riso da Terra


"Quando os deuses se encontraram
E riram pela primeira vez,
Eles criaram os planetas, as águas,
o dia e a noite.
Quando riram pela segunda vez,
criaram as plantas, os bichos e os homens
Quando gargalharam pela última vez,
eles criaram a alma."

(de um papiro egípcio)
Palhaços do mundo uni-vos!

Vivemos um momento em que a estupidez humana é nossa maior ameaça.
Palhaços não transformam o mundo, quiçá a si mesmos.

E nós, palhaços, tontos, bufões, que levamos a vida a mostrar toda essa estupidez, cansamos.

O palhaço é a expressão da alegria, o palhaço é a expressão da vida no que ela tem de instigante, sensível, humana.
Alegria que o palhaço realiza a cada momento de sua ação, contribuindo para estancar, por um momento que seja, a dor no planeta Terra.
O palhaço é a única criatura no mundo que ri de sua própria derrota e ao agir assim estanca o curso da violência.

OS PALHAÇOS AMPLIAM O RISO DA TERRA.
Por esse motivo, nós, palhaços do mundo, não podemos deixar de dizer aos homens e mulheres do nosso tempo, de qualquer credo, de qualquer país:

CULTIVEMOS O RISO.
Cultivemos o riso contra as armas que destroem a vida.
O riso que resiste ao ódio, à fome e às injustiças do mundo.
Cultivemos o riso. Mas não um riso que discrime o outro pela sua cor, religião, etnia, gostos e costumes.

CULTIVEMOS O RISO PARA CELEBRAR AS NOSSAS DIFERENÇAS.
Um riso que seja como a própria vida: múltiplo, diverso, generoso.
Enquanto rirmos estaremos em paz.

CARTA DA PARAÍBA - João Pessoa, 2 de dezembro de 2001 Declaração do Riso da Terra, documento gerado no "Riso da Terra", realizado em João Pessoa. O festival que reuniu palhaços de várias partes do planeta foi idealizado, produzido e dirigido pelo PALHAÇO XUXU -- o ator e diretor Luiz Carlos Vasconcellos.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

he has a typewriter


está tudo escrito ali..
créditos: Emílio e Bonatto

sábado, novembro 25, 2006

Risoflora



Eu sou um caranguejo e estou de andada
Só por sua causa, só por você, só por você
E quando estou contigo eu quero gostar
E quando estou um pouco mais junto eu quero te amar
E ai de deitar de lado como a flor que eu tinha na mão
E esqueci na calçada só por esquecer
Apenas porque você não sabe voltar pra mim
Oh Risoflora !
Vou ficar de andada até te achar
Prometo meu amor vou me regenerar
Oh Risoflora !
Não vou dar mais bobeira dentro de um caritó
Oh Risoflora, não me deixe só
Eu sou um caranguejo e quer gostar
Enquanto estou um pouco mais junto eu quero te amar
E acho que você não sabe o que é isso não
E se sabe pelo menos você pode fingir
E em vez de cair em tuas mãos preferia os teus braços
E em meus braços te levarei como uma flor
Pra minha maloca na beira do rio, meu amor !
Oh Risoflora !
Vou ficar de andada até te achar
Prometo meu amor vou me regenerar
Oh Risoflora !
Não vou dar mais bobeira dentro de um caritó
Oh Risoflora, não me deixe só.


Composição: Chico Science
Foto: Flora Rajão
Arte de rua: Boa Pergunta (autor desconhecido) só sei que é em Belo Horizonte...

Mais contos de seis palavras...

Bom, como prometido estou aqui a publicar os contos escritos pela audiência do "Doces Deletérios", obrigado a todos os seis que escreveram seus contos. Como a criatividade andava em alta, alguns se dedicaram também a criar pseudônimos para cada novo conto.
Vamos a eles:

Locomotiva chegou. Em Londres, disse: Pai?
-Emílio Mercuri

Buraco negro... queda infinita... liga luz?
-Guilherme

Isso é a princesa? Não beijo!
-Elfo

E eles viveram felizes para sempre.
-Elfo

- Viu?
- Quê?
- Olha ali!
- Puta merda!!!
-Elfo

Meu PC tá de sacanagem comigo.
-Trasgo

Contos de Seis palavras sao legais.
-Trasgo

Muito Tempo. Pouca coisa para fazer.
-Preto

Onibus não vem. Espera longa. Atrasado.
-Preto

-Aqui! Curva, valeta, caixa de fósforo...
-Preto

Comeu, comeu, comeu. Até ficar triste.
-Preto

Video Games Live. Eu no Amazonas...
-Preto

Sabia que o sabiá sabia assoviar?
-Preto

Nossa, que mulherão! IIhh! É traveco!
-Preto

Chegou. Mas sua mente estava distante.
-Preto

Comments no "DEGUSTE.BLOGSPOT": sempre seis palavras!
-Preto

Voltou. Mas como se nao estivesse.
-Preto

Olhava para dentro. Esbarrou num poste.
-Preto

Não sabia contar: acabou escrevendo demais.
-Álvaro

Tantos livros. Acabei lendo o coração.
-Álvaro

Morreu jovem. Não podia viver mais.
-MA

Alface!? Deixo o pasto pros ruminantes.
-Anão

Beijo tua boca. Você tem camisinha?
-Sade do Tanguá

Viagem no tempo. Cuidado com os buracos!
-Anselmo curioso de Tamandaré

Beije-me até minha alma ser beijada...
-Nhanhe

Queria fugir. Achou uma garrafa. Vazia?
-Nhanhe

Partiu. Mas sua mente permaneceu lá.
-Inhame

Cheirava as flores. Seu nariz apodreceu.
-Inhame

Completamos vinte. Agora queremos um post.
-Inhame

P.S.: E obrigado especial a duplinha que com onze contos cada um fizeram a alegria desde que vos escreve.

segunda-feira, novembro 13, 2006

Seis por seis...


Suas mentiras enganavam meu coração.
-Verdade.
Suas verdades preenchiam meus ouvidos.
-Sussuros.
Seus susurros devastavam minha vontade.
-Sonhava.
Seus sonhos inebriavam minha alma.
-Saudades.
Sua saudade alimentava meu desejo.
[Silêncio]
Meu desejo leva-me a você.
-Mentira...

sexta-feira, novembro 03, 2006

Contos de seis palavras


Há algumas semanas a revista Wired convidou vários autores de Sci-Fi, quadrinhos, fantasia e terror para escreverem pequeniníssíssimos contos de seis palavras. Dentre os autores temos nomes como William Shatner (o Capitão Kirk), Stan Lee, Joss Whedon, Alan Moore, Neil Gaiman, Frank Miller, Michael Moorcock, Kevin Smith, Mark Millar e muito mais.
Curioso? Então confira:

SAT falhou. Perdi bolsa-de-estudos. Foguete inventado.
- William Shatner

Computador, nós trouxemos as baterias? Computador?
- Eileen Gunn

Colisão, vácuo. Órbita divergente. Adeus, amor.
- David Brin

Roupa removida descuidadamente. Cabeça, sem também.
- Joss Whedon

Garantia do carro expira. Motor também.
- Stan Lee

Máquina. Sem esperar, inventei um tempo.
- Alan Moore

Desejava ele. Consegui ele. Que merda.
- Margaret Atwood

Seu pênis pulou fora; está grávido!
- Rudy Rucker

De arranha-céus queimando, homem criou asas.
- Gregory Maguire

Internet “já acordou?” Ridicu -
sem carrera.
- Charles Stross

Com mãos ensaguentadas, eu digo adeus.
- Frank Miller

Dia desperdiçado. Vida desperdiçada. Sobremesa, por-favor.
- Steven Meretzky

“Celeiro?” “Portão para, …inferno, na verdade.”
- Ronald D. Moore

Epitáfio: humanos tolos, nunca escaparam Terra.
- Vernor Vinge

Custou-me muito, continuar sendo humano.
- Bruce Sterling

Nos beijamos. Ela derreteu. Esfregão, por-favor!
- James Patrick Kelly

Atrás de você! Rápido antes que
- Rockne S. O’Bannon

Sou seu futuro filho, não chore.
- Stephen Baxter

1940: jovem Hitler! Que ótimo cantor!
- Michael Moorcock

Óculos detecta-mentiras aperfeiçoado: civilização colapsa.
- Richard Powers

Estou morto. Senti sua falta. Beijo … ?
- Neil Gaiman

Tipo sangüíneo do bebê? Humano, quase.
- Orson Scott Card

Kirby nunca tinha comido dedos antes.
- Kevin Smith

Choveu, choveu, choveu, e nunca parou.
- Howard Waldrop

Para salvar a humanidade, morreu novamente.
- Ben Bova

Nós viramos solares; Sol virou nova.
- Ken MacLeod

Marido, amante transgênica; esposa: “Sua vaca!”
- Paul Di Filippo

“Não acreditei que atiraria em mim.”
- Howard Chaykin

Não se case. Compre uma casa.
- Stephen R. Donaldson

Coração partido, 45, WLTM homem desmontado.
- Mark Millar

MÁQUINA-DO-TEMPO CHEGA NO FUTURO!!! … ninguém lá …
- Harry Harrison

Tick tack tick tack tick tick.
- Neal Stephenson

Fácil. Só toque no fósforo para
- Ursula K. Le Guin

Novos genes demandam expressão — terceiro olho.
- Greg Bear

K.I.A. Baghdad, Idade 18 - Caixão fechado
- Richard K. Morgan

FIM-DO-MUNDO. Sic trânsito glória na Segunda.
- Gregory Benford

Epitáfio: não deveria tê-lo alimentado.
- Brian Herbert

Batman ativa Bat-sinal: pede os royalties.
- Cory Doctorow

Paraíso cai. Detalhes somente às onze.
- Robert Jordan

Bush disse a verdade. Inferno congelado.
- William Gibson

Socorro! Estou preso em um tempo.
- Darren Aronofsky and Ari Handel

Mesmo assim, tentou uma terceira vez.
- James P. Blaylock

Deus para Terra: “Chorem mais, noobs!”
- Marc Laidlaw

Socorro! Preso em uma aventura textual!
- Marc Laidlaw

Pensei que estava certo. Não estava.
- Graeme Gibson

Perdi, depois achei. É uma pena.
- Graeme Gibson

Três no Iraque. Um deles voltou.
- Graeme Gibson

Arrebatamento adiado. Arca exigida! Qual delas?
- David Brin

Os dinossauros retornam. Querem seu óleo.
- David Brin

Bang adiado. Não tão Big. Reiniciar.
- David Brin

Recurso temporal. Sou pai e mãe?
- David Brin

Vingadores Temporais erraram! Não fui eu…
- David Brin

Democracia adiada. franquia? Pergunte a Diebold…
- David Brin

Cyborgue procura doador de ovo, objeto ___.
- David Brin

Prazo adiado. Cinco palavras bastam…?
- David Brin

Metrosexuais nãoseopõem, quiche ainda falta algo.
- David Brin

Virtude brevidade? Wired salva espaço-ad. Inscreva!
- David Brin

Morte adiada. Células metasteadas se organizaram.
- David Brin

Microsoft nos deu Word. Fiat lux?
- David Brin

Mente própria. Cortador de grama desgraçado.
- David Brin

Singularidade adiada. Dados faltando. Busca Godoogle?
- David Brin

Por favor, isso é tudo, juro.
- Orson Scott Card

Eu vi, querida, mas para mentir.
- Orson Scott Card

Máquina-do-tempo de Osama: Presidente Gore preocupado.
- Charles Stross

Soma de todos os medos: patenteada.
- Charles Stross

Naves disparam; princesa chora, entre estrelas.
- Charles Stross

Mozilla devasta Redmond, núcleo Google implicado.
- Charles Stross

Assim já dá (pergunta escritor preguiçoso)?
- Ken MacLeod

Criogenia: Disney descongelada. Mickey roeu. Omirroeu.
- Eileen Gunn

WIRED estimula o planeta: Utopia floresce!
- Paul Di Filippo

Clones pedem direitos: segunda Proclamação Emancipativa.
- Paul Di Filippo

MUD avatares rebeldes: Independence Day virtual.
- Paul Di Filippo

Cruzamos a fronteira; eles nos mataram.
- Howard Waldrop

Bombas-H atiradas; todos nós morremos.
- Howard Waldrop

Sua casa é minha: revolução soft.
- Howard Waldrop

Ski-guerra; log; acessório no rosto.
- Howard Waldrop

Os eixos na WWII: haiku! Gesundheit.
- Howard Waldrop

História Salingeriana: três koans na fonte.
- Howard Waldrop

Finalmente, ele não tinha mais palavras.
- Gregory Maguire

E agora restavam apenas seis palavras.
- Gregory Maguire

No começo existia o mundo, depois…
- Gregory Maguire

Aspas, ver, adicionar, tipo, nothing, okay?
- Gregory Maguire

Chorando, Bush perdeu conselho Cheneyniano moribumdo.
- Gregory Maguire

Cadáver faltando partes. Doutor compra iate.
- Margaret Atwood

Escândalo sexual estrelar. Lula gigante envolvida.
- Margaret Atwood

Confuso, Ele leu seu próprio obtuário.
- Steven Meretzky

Viajante no tempo pensa: “Senha é…?”
- Steven Meretzky

Ganhei na loteria. Sol vira nova.
- Steven Meretzky

Steve ignora limite de palavras editorial e
- Steven Meretzky

Léia: “Seu filho.” Luke: “Más notícias…”
- Steven Meretzky

Universo paralelo. Bush, destituído, no exército.
- Steven Meretzky

Dorothy: “Foda-se, vou ficar aqui.”
- Steven Meretzky

Seus sonhos inebriavam minha alma. Saudades...
- Felipe Recka de Almeida

Ainda em tempo:
Deixem nos comentários seus contos de seis palavras, se tivermos pelo menos vinte contos, eu faço um tópico com os mesmos.

P.S.: A tradução ficou por conta do Anakan do blog "Sedentário & Hiperativo", de onde obviamente eu copiei descaradamente este tópico.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Doces Papéis


Um dossiê na TV
sem querer
fez meu coração parar
e ao conectar minha insônia ao te ver
deixei cada um assumir seu papel
e tudo voltou ao seu lugar...

terça-feira, setembro 12, 2006

Fragilidade

Debilitado, o calor febril toma seu corpo.
Sob olhos azuis ganha conforto,
gratidão eterna.


Como muitos perceberam as vezes os post rareiam, peço desculpas.
Enfim hoje numa humilde tentativa resolvi escrever um Haicai , para quem não sabe Haicai é um poema de origem japonesa, que chegou ao Brasil no início do século 20 e hoje conta com muitos praticantes e estudiosos brasileiros.
No Japão, e na maioria dos países do mundo, é conhecido como haiku. Segundo Harold G. Henderson, em Haiku in English, o haicai clássico japonês obedece a quatro regras:
  • Consiste em 17 sílabas japonesas, divididas em três versos de 5, 7 e 5 sílabas
  • Contém alguma referência à natureza (diferente da natureza humana)
  • Refere-se a um evento particular (ou seja, não é uma generalização)
  • Apresenta tal evento como "acontecendo agora", e não no passado.
No transplante do haicai para outros países, algumas das regras anteriores são seguidas com maior ou menor fidelidade, enquanto outras podem ser mesmo ignoradas, dependendo de cada poeta ou da escola seguida.

Interessou-se?
Aqui no Caqui você encontra muito material sobre os Haicai.

segunda-feira, agosto 21, 2006

Você me entende?

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Então lá estava eu, sozinho em um pais distante. Não falava uma palavra daquele idioma estranho. Confesso que fora difícil no começo, sempre tivera problemas em me aproximar das pessoas, porém naquele momento estranhos em pouco tempo se tornaram minha família.
Por não falar uma palavra sequer, olhares, gestos e expressões demonstravam minhas intenções, talvez isso, paradoxalmente, tenha contribuído para um entendimento maior.
Assim como tudo na vida, aos poucos as coisas foram mudando. Certos sons se tornavam familiares, palavras soltas já eram inteligíveis, deixei um pouco de lado os olhares, gestos e expressões. Meus ouvidos conduziam-me agora às inteções olheias. Quando menos esperei palavras brotaram de minha boca. Talvez ali tenha perdido a oportunidade de agradecer a tudo que haviam feito.
Tudo bem; hoje é diferente, faço uso das palavras brilhantemente, não preciso mais dos olhares, gestos e expressões, escondo minhas intenções...
e ninguém me conhece.


Foto acima foi tirada por mim no Natal de 2004 em Amsterdam.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Sorriso inocente

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Então vinha eu dando meus desapegados passos rumo a lugar nenhum. "Cabisbaixo" talvez, distraído e pensativo.
A vida passava, meus pensamentos voavam. Foi quando percebi sua presença. Ela me olhava fixamente, um misto de curiosidade e admiração. De forma alguma decifraria o que passava em sua mente, seus olhos apenas me encaravam.
Em pouco tempo fui surpreendido, um inocente sorriso brotou de seus lábios; o mundo desacelerou.
Agora tudo mudara, sensações que havia esquecido eram parte da minha vida novamente, felicidade talvez.
Sorria quando ela foi levada de mim, o sinal agora dava a passagem aos pedestres, sua mãe a pegou no colo e a levou para longe...
e eu fiquei ali, sozinho, apenas com um sorriso inocente.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Relativa à Milão


Mil anos se separam
se espalham entre as estrelas
estilhaçadas no vácuo dos sentidos.
Você é o seu pior crítico.
Humoristicamente,
como mil anãs explodindo ao redor,
E mil ilhóis nos dedos.
As mãos cheias de réis
pra pagar aos mil reis.

Romance Policial


Era uma noite fria da madrugada de Iréatuba, José Alves da Fonseca havia abandonado o bar do Seu Antônio e estava tentando abrir a porta do seu fusca estacionado numa rua de paralelepípedos iluminado com luzes amarelas dos postes antigos. O jornalista tinha ido beber com os amigos e estava pensando incomodado no seu recente divórcio, pois, fora um relacionamento conturbado com muitas brigas e discussões. Dirigindo perto da segunda esquina depois do bar vê uma mulher e um homem andando distraidamente e rindo da vida como se naquela madrugada tivessem ido às nuvens. Desacelera, para observar tal cena e eis que encara a mulher, muito bonita e vestida como uma prostituta, e ela retribui um olhar sério e desafiador que penetrou intensamente nos seus pensamentos. Existia algo de sarcástico ou demoníaco no seu olhar e antes dele passar pelos dois pedestres ela anda perigosamente em direção à rua e se joga na frente do fusca de Fonseca sendo atropelada. O homem que a acompanhava teve um ataque histérico e saiu correndo desesperado e Fonseca com os olhos esbugalhados tendo transformado toda a sua bebedeira em lucidez sai do carro para tentar ver o que acontecera à pobre coitada. Havia manchas de sangue no capo do fusca e a moça estava deitada no chão praticamente nua esperando ajuda.
__ Você está bem? Disse Fonseca com a voz trêmula.
Ela apenas gemia de dores e não conseguia falar, talvez por ter tido uma noite viciante e alucinada, e então é carregada até o carro e levada ao hospital.
Antes de chegar ao hospital ela pronuncia as primeiras palavras:
__ Por favor, não me leve pra lá. (Com uma voz muito fraca).
__ Como? Você está com a perna sangrando, como vou saber se você não quebrou nada..!?
__ Eu te imploro, eu não posso ir para lá, você não entende, me leve pra casa.
__ Você está se sentindo bem? A sua perna está boa?
__ Se estiver quebrada eu estarei bem até.. Por favor, me leve na minha casa e lá você faz um curativo.
José Alves concorda finalmente com a moça e depois de perguntar seu endereço à leva para casa.
Era no centro, numa região perigosa e escura, ele estaciona e a leva para dentro da casa. Quando a coloca num sofá velho ela já está dormindo tranquilamente e ele desesperado chora. Lágrimas que nunca brotaram...

Música "acidental" ao texto: Tão menina
Artista: Lobão
Álbum: A vida é doce.
http://www.universoparalelo.com.br

sexta-feira, agosto 04, 2006

Releituras


Publicar em Blogs pode ser um ato que toma um tempo demasiadamente grande e que queima bastante tutano dos publicadores. Você pode publicar, despublicar por achar ruim e ninguém nunca vai ter visto algo que talvez seja inútil mesmo.
O que não pode ocorrer é ter medo de publicar, porque nem crítica, nem aprovação, nem discussão ocorrerá e será inútil denovo..
O que existe entre o "não", o "porquê?", o "sim" e o "hãnm?" é natural e altamente complexo. São expressões do dia a dia, do diálogo, que saem das bocas das pessoas sem querer, e que dizem muito mais do que a ansiedade de cada um em fazer com que as coisas aconteçam da maneira correta.
E as coisas estão ocorrendo da maneira correta.
Portanto Vivemos e sentimos e existimos diferentes, que bom!
Aliás, Existir é sentir o próprio gosto.

Pintando o Poeta


o poeta pinta o rosto do palhaço
um pintor assiste ao fato numa praça da cidade
pessoas apressadas passam rápido
curiosos se esmagam
e escutam versos altos

pintor poeta cara de palhaço
o livro aberto em estardalhaço
pintou poeta em terra de palhaço
um verso um traço um desembarasso

as pessoas saem todas maquiadas
suas idéias enjauladas
numa rotina engraçada
esquecem distraídas suas mágoas
o sono dos vícios e prazeres
dormem antes que seja tarde

Poesia da música PPP (pintor poeta palhaço)
disponível para download e para escutar em:
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=47070
O quadro acima foi pintado por Vicente Roso (1920 - 1996).

Viva...

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Sim!!
Viva, respire, sorria...

Preocupe-se; seja gentil.
Não deixe os "porquês" de lado, seja inquisitor afinal.
Ria muito; dance, pode ser sozinho, pode ser sem música.
A música, sim isso é bom, divirta-se...

Quer saber?
Não tenha regras, esqueça tudo isso, não obedeça a tantos imperativos...

Mas espere, esse acima não é mais um desses tais imperativos??

Então esqueça, impossível não usá-los.

Esquecer???

Sim!!
Viva, respire, sorria...

quinta-feira, julho 06, 2006

Imagine a realidade

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"Imagine que não há céu
É fácil se você tentar
Nenhum inferno debaixo de nós
Acima de nós só o céu
Imagine todas as pessoas
Vivendo o hoje

Imagine que não há nenhum país
Não é difícil imaginar
Nada por matar ou por morrer
E nenhuma religião também
Imagine todas as pessoas
Vivendo a vida, você em paz
Você pode dizer que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Eu espero que algum dia você se junte a nós
E o mundo será um um só
Imagine que não há posses
Eu me pergunto se você pode
Sem necessidade de gula e fome
A fraternidade de servir

Imagine todas as pessoas
Partilhando o dia todo... o mundo, você

Você pode dizer que eu sou um sonhador
Mas eu não sou o único
Eu espero que algum dia você se junte a nós
E o mundo será como um só. "

Disse certa vez John Lennon...

"Agora imagine que tu é um otário imaginando coisas"

Completou o personagem André de "O homem que copiava".

A realidade somos nós quem fazemos, bastando apenas imaginá-la.

Duvida?
Veja esse aqui, ele sim imaginou uma realidade só dele.

terça-feira, julho 04, 2006

O sujeito de sentimentos finitos

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"Era madrugada, o prédio estava vazio, sob a luz fria da luminária ele anotava meticulosamente cada coordenada dos finitos pontos da malha rescém terminada. Era uma terapia, ali era o mundo dele, cada um dos pontos estava sob seu domínio, conhecia a fundo seu modelo, ali nada escapava ao seu olhar atento.
Não, ali não haviam problemas sem solução. Cada elemento era formado por pontos e cada um destes tinha seu lugar. Estes pontos se ligavam a outros inumeros pontos e a malha por sua vez formava o modelo completo sem erros, sem distorções.
Conforme a matrizes agora eram forjadas, tudo se encaixava em harmonia. Uma verdadeira coreografia se iniciava, agora as matrizes eram invertidas, operações diferenciais se dissolviam, 'pequenas turbulências que me conduzem ao resultado' segundo ele. Isso sim era certo, não sua vida, não o espaço vazio que ele mesmo havia se tornado, não o elemento perdido, sem contato, sem coordenada.
Foi quando o verdadeiro 'insigth' veio a tona, após avaliar cada parte do todo chegou ao resultado, agora tudo fazia sentido.
Deixou o prédio, voltou a sua casa. Parou junto à porta do quarto de sua filha e pode a ver dormindo tranquilamente, um breve sorriso e se dirigiu ao seu quarto, lá foi recebido com um beijo caloroso. Assim descobriu o seu lugar na malha da vida, ali ele tinha coordenada e rumo certos. Não importando as turbulências, voltas e reviravoltas."

Quando pretende-se resolver um problema de engenharia, inicialmente busca-se um problema matemático associado que possa representar adequadamente a situação física real em estudo. Porém, os casos práticos são complexos, havendo a necessidade da introdução de muitas hipóteses simplificadoras a fim de permitir alguma forma de modelagem matemática que conduza a soluções mais simples. Normalmente o problema recai em solucionar sistemas de equações diferenciais com a imposição de valores de contorno.
O objetivo da análise via Método de elementos Finitos é aproximar, com certo grau de exatidão, os valores das incognitas que representam as soluções das equações diferenciais que governam o problema que estamos lidando. Tal Método reduz a solução de equações diferenciais á solução de um conjunto de equações algébricas simultâneas que podem ser facilmente resolvidas com o uso de computadores.

Interessou-se?
Aqui você pode saber um pouco mais sobre o método. E aqui você irá a página do Grupo de Bioengenharia da UFPR, que vem aplicando vários conceitos de engenharia (como o método dos elementos finitos) às áreas médica e odontológica.

P.S.: A imagem do crânio é formada por uma típica malha de elementos finitos.

domingo, julho 02, 2006

Um começo...

Então você chegou aqui sabe-se lá como e pergunta-se:
"para que serve isso?"
Acalme-se nobre leitor, eu respondo. Este blog serve como passatempo a este que vos escreve; minha idéia tão somente é escrever sobre diversos assuntos de meu interesse: música, cinema, histórias em quadrinhos e ciência.
A verdade é que já vem de algum tempo o desejo de tornar realidade este blog, muitos dos futuros posts já foram pensados e montados de forma grosseira na minha cabeça, porém aguardava um template descente que de tão elaborado acabou por postergar cada vez mais a inauguração deste despretencioso espaço.
Enfim de tão entusiasmado acabei por publicar o blog mesmo sem template e sem assunto para uma primeira postagem. Gostaria mesmo que tivesse um assunto propriamente dito mas acho que isso fica para os próximos posts. Por hora gostaria apenas de explicar o título deste blog: Doces Deletérios.

Doce

do Lat.
dulce
adj. 2 gén.,
que tem sabor agradável;
que não é salgado e que tem sabor semelhante ao do mel ou do açúcar;
fig.,
meigo;
afectuoso;
ameno;
aprazível;
encantador;
brando, propício;
melífluo;
s. m.,
aquilo que é doce;

Deletério

do Gr.
deletérios, destruidor
adj.,
que destrói;
nocivo à saúde;
prejudicial;
venenoso;
fig.,
desmoralizador

Bom o resto é papo e a sua imaginação na hora de interpretar este curioso título. Sejam bem vindos espero que retornem, deixo um até logo a todos... ah antes do até logo não posso deixar de agradecer ao Rodrigo Amarante que é o autor do nome do blog, obrigado cara.
Agora sim, até logo.