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quinta-feira, agosto 16, 2007

Quando jogar perde a graça

Suzana Herculano-Houzel

Jonathan Schaeffer, um especialista em jogos de computador da Universidade de Alberta, no Canadá, acaba de provar, após 18 anos de cálculos matemáticos, que o jogo de damas é fadado ao empate. A partir de qualquer um dos 19 lances iniciais possíveis, ninguém ganha se nenhum dos oponentes fizer uma besteira: ganhar nas damas não é uma questão de usar uma estratégia superior, e sim de não cometer erros. Assim é com outros jogos da infância, como jogo-da-velha, senha, o cubo de Rubik e até o recente sudoku: para todos existe algum algoritmo -uma seqüência de lances ou passos- infalível, que resolve o problema ou pelo menos garante o empate. Para alguns, o empate inevitável é suficiente para que damas e o jogo-da-velha sejam declarados "mortos", solucionados. Por que, então, as crianças adoram esses jogos, e por que eles eventualmente perdem a graça?Jogos são extremamente estimulantes para o cérebro enquanto constituírem um desafio. Uma chance razoável de alcançar sucesso serve como motivação para abordar o problema, ou seja, jogar. E sucessos ocasionais, ao manterem o sistema de recompensa interessado e motivado a tentar de novo, aumentam as oportunidades de aprender o jogo e talvez de dominá-lo. Para alguns jogos, como os de estratégia, o domínio completo não acontece: o sucesso dificilmente se torna 100% garantido. Mas, quando o sucesso se torna uma certeza, o sistema de recompensa perde o interesse e, no máximo, joga de novo de vez em quando, para checar se ainda se lembra do algoritmo para resolver o problema. Perder o interesse pelo problema solucionado, por sinal, é ótimo para o cérebro, que abandona o que se tornou trivial e passa a problemas mais difíceis, que aproveitam as capacidades de raciocínio adquirida. E, assim, somos promovidos do jogo de damas ao xadrez, cujo final computador algum ainda consegue antecipar desde a abertura. Os computadores de Schaeffer levaram 18 anos para considerar os caminhos entre os 19 lances iniciais possíveis e as 39 trilhões de posições finais para o jogo de damas e concluir que todos levam ao empate, o que "mata" o jogo. Talvez no mesmo tempo, o cérebro humano aprende a avaliar os lances possíveis para evitar movimentos errados e chegar ao empate -e então também conclui que o jogo perdeu a graça. Sabemos, contudo, fazer algo que os computadores não sabem: reclamar que o jogo perdeu a graça e pedir para jogar outra coisa.

* a figura acima é o tabuleiro do jogo Shogi (Foto do livro "Os melhores jogos do Mundo")
O Shogi seria "parente" do xadrez, na medida em que existem peças com "valores" diferentes, e é jogado sobre um tabuleiro. As semelhanças são que também joga-se para dar xeque-mate, existe promoção e cada peça possui um tipo de movimento. As diferenças começam no tabuleiro: retangular com 9x9 casas sem nenhuma divisão de cor, como já devem ter entendido, as casas não são quadrados perfeitos e por isso o formato do tabuleiro ser retangular".
As peças são pentágonos irregulares com ideogramas dos dois lados e cada uma tem um tipo de movimento. mais informações em: http://www.jogos.antigos.nom.br/go.asp

segunda-feira, junho 18, 2007

Homem Sagaz


José da Silva era um homem sagaz. Hoje, com 35 anos, depois de ter sofrido um acidente aos 22, perdido os pais, ficou à margem da sociedade vivendo nas ruas e vendendo chicletes e doces nos sinais. Esta tarde estava muito ensolarada e bem perto do asfalto, em sua cadeira de rodas improvisada, ele sentia o calor das 2 da tarde emanando do asfalto e esquentando infernalmente o ar ali em baixo. Quando ficou vermelho, ele, com seu boné, foi se dirigindo entre as duas fileiras de carros para pedir esmola para os dois lados. Na primeira fila de carros não ofereceram nada, na segunda, o motorista ofereceu umas moedas que quase cairam no chão por que o sinaleiro tinha se tornado verde. Neste momento ele já tinha que ter saido da rua e deveria estar na calçada, descansando, mas os carros já haviam partido e ele ficou no meio das filas tentando sair. Como todos estavam com muita pressa ele desistiu, e ficou alí observando os prédios, as nuvens e sua vida em perigo, enquanto os carros passavam a toda velocidade por seu lado.

quarta-feira, maio 09, 2007

Domínio Público

"Uma biblioteca digital é onde o passado encontra o presente e cria o futuro."
Dr. Avul Pakir Jainulabdeen Abdul Kalam
Presidente da Índia - 09/set/2003

site: http://www.dominiopublico.gov.br

O "Portal Domínio Público", lançado em novembro de 2004 (com um acervo inicial de 500 obras), propõe o compartilhamento de conhecimentos de forma equânime, colocando à disposição de todos os usuários da rede mundial de computadores - Internet - uma biblioteca virtual que deverá se constituir em referência para professores, alunos, pesquisadores e para a população em geral.

Este portal constitui-se em um ambiente virtual que permite a coleta, a integração, a preservação e o compartilhamento de conhecimentos, sendo seu principal objetivo o de promover o amplo acesso às obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público ou que tenham a sua divulgação devidamente autorizada, que constituem o patrimônio cultural brasileiro e universal.

Algumas das obras do portal:

- Música Erudita Brasileira
- Obras Machado de Assis
- Shakespeare em português
- Teses e dissertações – CAPES
- Poesia de Fernando Pessoa
- Vídeos da TV Escola
- Literatura Infantil em português
- A Divina Comédia em português
- Publicações sobre educação
- Obras de Joaquim Nabuco
- Hinos brasileiros (coral e instrumental)

terça-feira, maio 08, 2007

Manifestações artísticas criando novas facetas do vocabulário coletivo

ARTE VOCABULÁRIO
VOCÁBULO
COROLÁRIO

Independentemente da qualidade de uma produção artística, uma vez criada ela tem uma importância e gera uma repercussão em graus distintos. Muitas vezes estas criações repercutem apenas localmente nos guetos e nichos das cidades e vilas e são incorporadas de alguma forma pelas pessoas que ali vivem. Porém, algumas manifestações só serão entendidas e classificadas como significativas muito tempo depois e talvez os criadores nem estejam vivos. O importante então é que as pessoas que gostem de arte produzam material que servirá de incremento de vocabulário ao imaginário coletivo dos afetados pela representação criada.
Isso tudo seria muito simples se as pessoas não tivessem medo de se expor com suas criações. Muitas vezes por pensar que suas idéias são inadequadas com um modelo descrito por uma moda ou uma academia. Mas qual é o momento em que a o desenvolvimento da técnica se mostra suficiente para o progresso e desenrolar do processo criativo significativo?
As vezes a supercrítica gera bloqueios criativos, a análise individual de um elemento da obra de arte faça se esquecer o contexto de criação e se julgar uma criação apenas pelos conceitos estéticos da mente do observador, e a análise de outro elemento possa mostrar algo pessoal, intrigante e belo.

* As imagens acima foram produzidas recorrendo a programação e bibliotecas de objetos em Java. O autor das imagens é Greg Judelman, um designer gráfico sul africano/canadense.

Modernidade: escolha a sua

Hoje já é dificil viver em paz comigo mesmo, imagine tentando decidir entre tais teorias..

Ópera é "cultura pop"


O Rigoletto de Verdi, no teatro Guaíra, é a nova ópera que está sendo executada pelo Coral Nova Philarmonia, o Balé Teatro Guaíra e a Orquestra Sinfônica do Paraná. Esta ópera de Giuseppe Verdi (1813-1901) foi baseada numa peça de Victor Hugo "Le Roi S'amuse" que trata de um governante desonroso, de uma aristocracia injusta e insensível. No meio desta trama. Verdi utilizou o personagem já criado por Victor Hugo, o bobo da corte "Rigoletto", que zombava dos abusos do rei e só tinha sua filha como único bem. O rei e um grupo de cortesãos unidos pelo cinismo jogam uma praga sobre Rigoletto que acaba sofrendo com o rapto de sua filha, que todos pensavam que era sua amante, e depois com a morte da própria filha num final dramático típico das óperas italianas.
Vale a pena converir dias 4, 5, 6, 8, 9, 10 de maio de 2007 no Teatro Guaíra.

Ópera
A palavra em italiano, significa obra, trabalho, e foi adotada para definir esse gênero dramático no século XVII na Inglaterra, mas as primeiras foram concebidas em Florença no final do século XVI. Pintores, escultores, músicos, escritores e arquitetos da época estavam empenhados em fazer reviver a cultura clássica greco-latina. Tal esforço ganhou a denominação de Renascimento e corresponde a tal período na história das artes.
A ópera resultou da tentativa de se recriar o estilo do teatro grego, sendo os textos falados, declamados e cantados. Mas a música era essencial para isso tanto quanto as palavras, assim como as ações no palco. Isso definia o caráter dos personagens, estabelecia o ritmo da narrativa, exprimia emoções e criava ou aumentava a tensão dramática.
Pouco a pouco as partes faladas do espetáculo foram cedendo lugar às árias, e toda a atenção do público passou a fixar-se nos cantores. O que as audiências da época queriam encontrar num cantor de ópera era a combinação de desempenho cênico com destreza vocal, a orquestra era para proporcionar aos cantores um acompanhamento discreto e as passagens corais eram sumárias. Em meados do século XVIII, o estilo operístico tomou novos rumos e a norma dos espetáculos inconsequentes em termos de drama e narrativa. Compositores do norte da Europa, liderados por Glück, passam a buscar formas de entreterimento mais próximas do drama musical de hoje do que a ópera seiscentista italiana. A ação passa a ser contínua, e as ária, ao invés de inseridas aleatóriamente nas partituras, começam a integrar as cenas e a serem justificadas por elas.

Grandes compositores e grandes óperas:
Monteverdi - Orfeu (1607), A Coroação de Popéia (1642)
Cavalli - L'Egisto (1643), La Calisto (1651)
Glück - Orfeu e Eurídice (1787), Ifigênia em Aulida (1774)
Mozart - As bodas de Fígaro (1786), Don Giovanni (1787), Cosi Fan Tutte (1790), A Fláuta Mágica (1791)
Bellini - A Sonâmbula (1831)
Donizetti - La Cenerentola (1817)
Giuseppe Verdi - Otelo (1887), Rigoletto (1851)
Bizet - Carmen (1875)
Puccini - La Boheme (1896)

quarta-feira, maio 02, 2007

Los Hermanos anuncia Separação

O grupo Los Hermanos anunciou nesta segunda-feira (23/04/2007) um "recesso por tempo indeterminado", segundo nota do site oficial do grupo.
Após 10 anos de trabalho, o motivo para o Los Hermanos dar uma pausa na carreira é a necessidade dos integrantes se dedicarem a outras atividades, e não, o fim da amizade entre os integrantes. "Continuamos jogando truco toda quinta-feira", diz a nota.
A turnê do CD "4", lançado em 2005, chega ao fim. Mas o grupo Los Hermanos vai fazer a "despedida" no Canecão, tradicional casa de espetáculos do Rio de Janeiro, dias 8 e 9 de junho.
O Los Hermanos é formado por Rodrigo Amarante, guitarra e voz, Marcelo Camelo, guitarra e voz, Rodrigo Barba, bateria, e Bruno Medina, teclados.

Preço da Felicidade

Ver os amigos vale salário de R$ 30 mil, diz estudo

Um estudo conduzido na Grã-Bretanha concluiu que ver os amigos "vale um salário de mais de R$ 30 mil", ou 95 mil libras esterlinas, por ano. Uma pessoa que ganha R$ 3,3 mil e encontra com freqüência os amigos para uma conversa despreocupada é tão feliz quanto outra que tem salário dez vezes mais alto e sacrifica sua vida social, concluiu a pesquisa.
Ao analisar os dados de enquete com oito mil britânicos, em todo o país, a pesquisa se propôs a “colocar etiquetas de preço em amigos, parentes e vizinhos”, para afirmar que, se fosse possível comprar felicidade, ela teria um alto preço.
O autor da pesquisa, o especialista em Economia Aplicada a temas de felicidade Nick Powdthavee, avalia que "um aumento no nível de envolvimento social equivale a dezenas de libras adicionais por ano em termos de satisfação de vida”. Por outro lado, aumentos de renda trazem muito pouca felicidade.
O estudo foi conduzido no Instituto de Educação, da Universidade de Londres, e será publicado na próxima edição da revista científica Journal of Social-Economics.
Mais informações na BBC Brasil.

sexta-feira, abril 27, 2007

Por que as mulheres abrem a boca enquanto pintam os cílios?

(Yahoo Respostas) Melhor resposta - Escolhida por votação

Se você se olhar no espelo e abrir a boca, vai perceber que a pele abaixo dos olhos estica e, consequentemente fica melhor para colocar o rímel (não é pintar os cilios).

O reitor vai virar prefeito?

por Renan Carreira*

Esquivar-se de perguntas delicadas e exaltar o seu próprio trabalho são as principais características do possível candidato à prefeitura de Curitiba.
O reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carlos Moreira Júnior, é um político nato. Conhece as artimanhas e os conchavos da política paranaense, sabe do poder que possui por administrar o terceiro maior orçamento do Estado, usufrui com perfeição de sua habilidade com as palavras e – mais importante – pensa, age e argumenta como se estivesse em campanha. Embora negue veementemente o sonho de disputar a prefeitura de Curitiba, seus olhos brilham ao menor sinal dessa possibilidade.
Interessante notar que Carlos Moreira diz que o prefeito Beto Richa não tem um “plano para a cidade”. E o governo do Estado? “O Requião tem um plano amplo, todos conhecem as diretrizes do governador.” São frases soltas, sem uma explicação plausível, que servem para mostrar nitidamente por quem o reitor tem um certo afago e – é claro – são frases que vão moldando a relação de Carlos Moreira com o PMDB – o provável partido que o apoiaria em uma eventual candidatura.
A retórica do reitor da UFPR é sorrateira (no sentido de desviar-se de perguntas delicadas) e, ao mesmo tempo, soa como se suas palavras fossem a versão mais pura da realidade. Ou seja, a retórica dele é a retórica de um político. Por exemplo, Carlos Moreira defende Requião, mas não sabe dizer ao certo quais são os méritos do governador. Ele também defende Lula no mesmo estilo – acha que o Brasil está avançando no comando do presidente, mas não soube citar na entrevista áreas em que o país vai às mil maravilhas.
Já sobre os seus próprios méritos, o reitor carrega na ponta da língua 3 conquistas: implantação da Universidade do Litoral, manutenção do restaurante universitário (há muitos anos o valor permanece em R$ 1,30) e o fim das greves.
Por fim, Carlos Moreira Júnior, quando questionado se tem preferência pela esquerda ou pela direita, diz que não vai a outro lugar que não seja para frente. A impressão que se tem é que na frente do reitor está a porta de entrada da prefeitura.

* Renan Carreira é estudante de Jornalismo da UFPR e acompanhou a entrevista concedida por Moreira à editoria de Política do Comunicação.

quarta-feira, abril 18, 2007

Flash Mob

Flash Mob - Le Louvre. 28 de agosto de 2004

Você sabe o que é Flash Mob???

Wikipedia: Um flash mob (traduzido do ingles para "multidão instantânea") é um evento onde um grupo de pessoas vai de repente a um lugar público, desenhando movimentos pré-coreografados e sem sentido aparente, apenas por entretenimento ou muitas vezes com finalidades políticas e de reivindicação.

Alguns flash mobs famosos:

-No Brasil, um flashmob ocorreu em São Paulo, no ano de 2004, na Avenida Paulista. Um grupo de pessoas combinou de fazer uma perfomance ao primeiro sinal verde (para os pedestres) depois do meio-dia de um certo semáforo. Quando o sinal abriu, os pedestres em vez de atravessar a rua normalmente, tiraram um dos sapatos e começaram a bater no chão, como se matando baratas. Depois disso, todos se dispersaram.
-Em Nova Iorque, na Estação Grand Central, em 2003 aconteceu um Flash Mob com um aplauso espontâneo por um período de 15 segundos, após o que as pessoas dispersaram tão rapidamente como tinham aparecido.

Mas um video vale mais do que mil palavras!
Vejam esses videos de Flash Mobs recentemente realizados ao redor do mundo:



Existe um grupo tentando criar um Flash Mob em Curitiba. Se você gostou da idéia, entre no grupo de e-mails, divulgue a idéia, afim de obter logo um número suficiente de pessoas (pelo menos 100) para realizar seus próprios Flash Mobs. Entre no grupo, dê idéias, chame seus amigos!

Endereço de e-mail do grupo:
flashmob-ctba@yahoogrupos.com.br

Chet Baker


Chet Baker (Chesney Henry Baker Jr.) (Yale, Oklahoma, 23 de Dezembro de 1929 – Amsterdã, 13 de maio, 1988) foi um trompetista de jazz norte-americano.
Criado até os dez anos numa fazenda de Oklahoma, parte para Los Angeles no final dos anos 30, quando começa a estudar teoria musical. Chet Baker sempre foi influenciado por seu pai, guitarrista, de quem herdou a paixão pela música e de quem ganhou, aos 10 anos de idade, um trombone. Amante do Jazz, não tardou em conquistar o sucesso, sendo apontado como um dos melhores trompetistas do gênero logo em seu primeiro disco.
Ainda bem jovem, passou a integrar o grupo de renome da música americana da época. Seus primeiros trabalhos foram com a Vido Musso's Band e com Stan Getz, porém Chet só conheceu o sucesso depois do convite de Charlie Parker (Bird) em 1951 para uma série de apresentações na costa ocidental. Em 1952 entrou para a banda de Gerry Mulligan, alcançando grande notoriedade com a primeira versão de "My Fanny Valentine". Entretanto, em razão dos problemas de Gerry com as drogas, o quarteto não teve vida longa, sustentando-se por menos de um ano.
O talento de Chet logo o transformaria num ídolo. Apresentou-se por toda América e Europa. Especialistas dividem a vasta obra do músico em duas fases: a cool, do início da sua carreira, mais ligada ao virtuosismo jazzístico e a segunda parte, a partir de 1957, quando a sensibilidade na interpretação torna-se ainda mais evidente.
Avesso às partituras, isto não lhe impediu, entretanto, de integrar as grandes bands americanas.Baker era dotado de extrema criatividade, inaugurando um modo de cantar no qual a voz era quase sussurrada. Chet teria exercido grande influência em músicos brasileiros, como João Gilberto e Carlos Lyra, alguns dos grandes nomes da Bossa Nova. Esta versão é, contudo, bastante controvertida. Sizão Machado, numa visão chauvinista, chegou a dizer, certa feita, que a Bossa Nova é que teria influenciado os músicos americanos, e não o contrário.
Para tocar as músicas pedia apenas o tom. Econômico nas notas (ao contrário de outros tompetistas que preferiam o virtuosismo, como Dizzy Gillespie), Chet improvisava com sentimento. Certo dia, deram-lhe o tom errado de uma música de propósito, e mesmo assim Chet Baker conseguiu encontrar um caminho harmônico. Valorizava as frases melódicas com notas longas e encorpadas, o que acabou lhe valendo o rótulo de cool
No começo dos anos 60, Chet começou realizou diversas experiências com o flugelhorn, instrumento de timbre macio e aveludado.
No entanto, sua gloriosa trajetória na música não lhe rendeu uma vida segura, afastada de problemas. Por causa de seus envolvimentos com as drogas, especialmente com a heroína (durante suas crises de abstinência, que eram monitoradas por médicos, usava metadona), Chet foi preso muitas vezes. Conta-se que chegou a ser espancado por não ter pago uma dívida contraída com a compra de drogas. Este episódio teria lhe rendido a perda de vários dentes.
Para alguns especialistas, as falhas em sua arcada dentária teriam contribuído para uma inevitável piora de sua performance. Contudo, para outros, contraditoriamente, tal fato teria obrigado o músico a se enveredar por outras vertentes e nuances do instrumento, alcançando, deste modo, sonoridades ímpares e inconfundíveis.
Em 1985, Chet Baker esteve no Brasil para duas apresentações na primeira edição do Free Jazz Festival. A banda era formada pelo pianista brasileiro Rique Pantoja (com quem Chet já havia gravado um disco no início dos anos 80 - Chet Baker & The Boto Brasilian Quartet), pelo baixista Sizão Machado, pelo baterista americano Bob Wyatt e pelo flautista Nicola Stilo. A primeira apresentação, no Hotel Nacional, na cidade do Rio de Janeiro, foi considerada decepcionante, mas a apresentação em São Paulo, tida como um sucesso, quase entra para a história do Jazz pela porta dos fundos: depois do espetáculo, já em seu quarto, no Maksoud Plaza, Chet surrupiou a maleta do médico que o acompanhava e tomou doses cavalares das drogas que lhe estavam sendo administradas para controlar as crises de abstinência. Chet teve uma overdose e quase morreu.
Neste mesmo ano, iniciou com Rique Pantoja, em Roma, as gravações de Rique Pantoja & Chet Baker (WEA, Musiquim), que terminariam em São Paulo, no ano de 1987. O LP foi um sucesso de crítica.
Em maio de 1983, durante uma de suas inúmeras viagens à Holanda, produziu gravações com o pianista Michael Graillier e com o baixista italiano Ricardo Del Fra, parceiro do baterista brasileiro Afonso Vieira.
Baker morreria em Amsterdã, de forma trágica e misteriosa, na madrugada de 13 de Maio de 1988, quando despencou da janela do hotel. Até hoje resistem muitas controvérsias sobre a causa de sua partida: suicídio ou acidente?
Chet foi enterrado no "Inglewood Park Cemetery", em Los Angeles.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

A Morte de John Lennon

John Lennon chegou mais tarde em casa na noite do dia 8 de dezembro de 1980, contrariando hábitos que adquirira em anos anteriores. Depois de ter ocupado o trono de maior astro da música pop internacional, o ex-Beatle havia se transformado num pacato homem doméstico. Cuidava do filho Sean, então com 5 anos, e preparava-se para lançar o álbum “Double Fantasy”, com sua mulher Yoko Ono. Naquela noite, chegou à uma hora da manhã. Não chegou a entrar no edifício Dakota, em Nova York, onde morava: foi recebido com cinco tiros, disparados por um desconhecido, que saltou do crime para a fama e a prisão. Chamava-se Mark Chapman.

O fundador dos Beatles, espécie de ídolo mitológico da cultura pop, morreu em poucos minutos. Suas últimas palavras foram o próprio nome, anunciado aos médicos que o atenderam ainda no chão, à porta do sombrio Dakota, localizado no lugar mais nobre da cidade que adotara. Lennon, muitos anos antes, no auge do sucesso do grupo que liderou até 1970, chegou a dizer que era mais popular do que Jesus Cristo. Morto, transformou-se em símbolo de renovação dos costumes e da arte nos anos 60/70

A edição da Folha do dia seguinte publicou reportagem de capa da Ilustrada assinada por Paulo Francis, então correspondente em Nova York. Polêmico como sempre, o jornalista tratou o mito com ímpeto iconoclasta. O texto foi abominado por beatlemaníacos. Chamava a viúva, Yoko Ono, de “aventureira japonesa”, que representava o papel de “Madame Butterfly”.

Francis descrevia o ídolo como um homem normal e ressaltou os aspectos econômicos que derivariam, segundo ele, do assassinato. A reportagem, que recebeu o título “Cinco tiros abrem novos negócios”, é aqui reproduzida na íntegra.

Cinco tiros abrem novos negócios,

Paulo Francis

John Lennon, compositor, cantor, músico, o “pai” dos Beatles, foi assassinado à uma hora da manhã (hora de Brasília) de ontem, por um vagabundo, Mark Chapman, que disparou nele seis tiros de um revólver 38, acertando cinco. O crime aconteceu no saguão de um dos prédios mais famosos de Nova York, a oeste do Central Park, o Dakota (que a maioria dos brasileiros conhece como cenário do filme de Roman Polanski “Rosemary`s Baby”, com Mia Farrow e John Cassavetes). Lennon estava acompanhado da mulher, Yoko Ono, e dois cavalheiros ainda não identificados. Chapman esperou por ele horas no saguão, sem ser incomodado pelos agentes de segurança do prédio (cuja maioria dos moradores é celebridade, gente como Lauren Bacall etc.) que provavelmente, como é freqüente em Nova York, estavam bêbados ou dormindo. Lennon tinha 40 anos. Chapman, de Atlanta, Geórgia, conterrâneo de Jimmy Carter, tem 25.

A polícia, chamada ao local, apreendeu facilmente Chapman, que largou o revólver depois de esvaziá-lo, sorrindo, certo (e está certíssimo) que do anonimato se tornará, como Lennon, uma celebridade. Esse o motivo aparente do crime. O canibalismo de celebridades que é rotina neste país (e no Brasil e todo o mundo ocidental), graças a um sistema de comunicações que evita assuntos sérios, mas que fornece um “circo” permanente, obsessivo, avassalador, sobre a vida dos bem-sucedidos e ricos, excitando sentimentos contraditórios, da adoração bocó dos fãs à frustração homicida, que às vezes se manifesta a la Chapman. É tolice atribuir o crime à violência de Nova York. Chapman estava em Nova York havia apenas duas semanas, proveniente de Atlanta (trabalhou um tempo no Havaí, como guarda de segurança, vulgo “vigia”). Em Nova York não é possível comprar armas de fogo sem extensa e prévia investigação policial (estou falando do mercado legal, naturalmente). Em Atlanta, onde recentemente 12 crianças negras foram assassinadas, é possível comprá-las em qualquer armazém...

A polícia de Nova York é treinada em paramedicina. Tentou ressuscitar Lennon, aplicando-lhe técnicas recomendadas, sem sucesso. Uma ambulância recolheu Lennon, que ainda falou aos médicos, dizendo quem era (“Meu nome é John Lennon”) mas foi pronunciado “D.O.A.”, morto ao chegar, no Hospital Roosevelt, a 13 quarteirões do Dakota. A causa: hemorragias incontroláveis.

A nova celebridade, Chapman, está presa. Não precisa declarar nada. Pode exigir a presença de um advogado. Se não tiver dinheiro para pagá-lo, o Estado paga. É a lei. Se for chamado de assassino pela imprensa, um juiz poderá anular o julgamento, considerando-o preconceituoso contra o réu, presumindo-o culpado antes que um júri o condene ou absolva. É também a lei. Mas o provável é que se determine que Chapman é um psicopata, ou seja, passará o resto da vida num manicômio judiciário, vendendo direitos de lhe filmarem a vida, “escrevendo” memórias, vendendo entrevistas etc. Neste país tudo é faturável. A polícia já o chamou de “whaco” (demente, em gíria), pois a polícia conhece como ninguém como funciona o processo judiciário americano.

O canibalismo continua depois da morte. Fãs histéricos cercam o Dakota, cantando músicas dos Beatles. Ringo Starr, o primeiro dos ex-companheiros de Lennon a chegar aos EUA, de Londres, teve de ser protegido pela polícia, em face da malta de fãs que queriam depredá-lo, amorosamente, claro... A aventureira japonesa Yoko Ono, herdeira da fortuna dos 150 milhões de dólares de Lennon, também está representando “Madame Butterfly”, vítima trágica do destino, que lhe roubou o homem amado. Também há bons negócios à vista para a viúva. Todo mundo está faturando, de estações de rádio à TV, que tocam incessantemente as músicas dos Beatles e continuam o canibalismo do cadáver. É a sociedade do consumo, em seu aspecto mais grotesto.

John, Paul, Ringo George, filhos da Guerra Fria

Em nenhuma época um conjunto de música popular fez tanto sucesso como os Beatles. De certa maneira, eles são o símbolo mais à mão da chamada contracultura da década de 1960. Nunca tiveram o prestígio entre as elites do movimento de um Bob Dylan (cujas letras parafraseavam poemas de Eliot e outros heróis do modernismo da alta cultura. Hoje Dylan é um “renascido em Cristo”, à la Jimmy Carter, apesar de judeu de ascendência), ou de Jimi Hendrix, considerado o supremo inovador do rock, que morreu, como sua par, Janis Joplin, de uma dose excessiva de drogas. E só no início, que pouco chegou ao grande público, os Beatles tinha a agressividade da classe trabalhadora inglesa característica dos mais famosos produtos dos “Rolling Stones”, de Mick Jagger (cuja “The Citadel” nos diz mais sobre a guerra do Vietnã do que o excelente filme de Francis Ford Coppola, “Apocalipse Agora”). Os Beatles se sofisticaram muito sob a mão de um gerente de gênio, Brian Epstein, outro viciado em drogas, que se suicidou em 1967, e que, homossexual, parecia exercer uma tutela absoluta sobre os quatro Beatles, Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison.

O segredo dos Beatles, depois de “peneirados” por Epstein, é simples: limpeza. O rock nasceu uma mistura de jazz e música montanhesa americana, sob o signo das cadeiras rebolantes de Elvis Presley. Foi, apesar de adorado pela garotada, uniformemente condenado pela classe dirigente americana, de que “Time” era um dos símbolos (até 1968, quando perdeu quase todo o prestígio), e “Time” escreveu longos editoriais sobre a imoralidade de Elvis, “O Pelvis”, como o apelidaram.

Quando os Beatles chegaram ao quarteto final, depois de se chamarem “The Quarrymen” e outros nomes, eles, apesar de virem das favelas de Liverpool, faziam músicas românticas, chorosas, sem qualquer sofisticação de contexto e, depois que Epstein os vestiu de ternos e lhes aparou os cabelos (relativamente), os Beatles produziram um rock acessível aos valores da classe média, sem os “excessos” prévios e posteriores de Elvis e Jagger, respectivamente.

Eles se sofisticaram bastante musicalmente, em “Sgt. Pepper`s”, um disco divertido, de “Lucy” (supostamente sobre LSD, mas Lennon em entrevista a Playboy diz que foi tirado de “Alice no País das Maravilhas”. Ele pensa que isso confere inocência à música. Alice é bem mais pervertida do que LSD...), mas não há dúvida que foram as composições mais simples, “Love Me Do”, “I Wanna Hold Your Hand”, “Help” etc., que lhes angariaram os milhões de fãs, que lhes garantiram a venda de 250 milhões de discos, ou mais, o que levou John Lennon a dizer que o grupo era mais popular que Jesus Cristo. Isso irritou muita gente. Nunca entendi por quê. Jesus não foi popular em vida. Terminou crucificado. Jesus não penetrou no mundo judeu, muçulmano e ateu. Os Beatles penetraram até na URSS (clandestinamente, no mercado negro, mas aos milhões...).

O charme da música deles sempre me escapou, o que deve ser um problema geracional (se bem que o antigo Dylan e o Jagger de “The Citadel” e “Helter Skelter” me diziam muito, não sempre agradável) de quem foi educado sob jazz “hot” e “cool” e o rápido mas inesquecível “bepop”, talvez o maior salto qualitativo da música popular neste século.

Mas, sociologicamente, eles sempre foram interessantes. Aquela choradeira infantil que os celebrizou, o romantismo quase hilariante de baladas como “Yesterday” representavam certamente o estado de espírito de uma geração que emergiu na década de 1960, depois que as tensões totalitárias da guerra fria se abaterem quando Kennedy e Kruschev decidiram não destruir o mundo em face da presença de mísseis nucleares soviéticos em Cuba, 1962.

Não houve o estouro do pós-guerra de 1919 no outro pós-guerra de 1945. Isso porque passamos diretamente aos terrores ainda maiores, nucleares, da guerra fria, que Kennedy e Kruschev diminuíram em 1962, permitindo assim uma verdadeira revolução de costumes, “revolução cultural”, da década de 1960.

A palavra infantilidade não é aqui usada insultuosamente. As crianças da década de 1960, nascidas sob o ruído dos aviões a jato, dos mistérios da eletrônica, sob o terror nuclear, sem qualquer acesso ao poder democrático, já que o poder, dos EUA à URSS, passara a ser exercido por burocratas sem cara, grupos de “experts” cuja sapiência era incontestada, crianças que nasceram quando os conceitos de religião, família e outras âncoras tradicionais haviam desaparecido sob o impacto da revolução capitalista-tecnológica-tecnocrática, tentaram criar o mundinho delas, de “quero segurar sua mão” e “socorro” (este quase um apelo direto). Renegaram a maneira de vestir, a maneira de pensar, a suposta ética de trabalho, de competição (a corrida entre ratos), o totalitarismo cultural da minha e precedentes gerações. Era, claro, uma revolução impossível, pois, em verdade, foi faturada pelas mesmas forças capitalistas, tecnológicas e tecnocráticas que dirigem o mundo. A contracultura nada mais foi que uma variante da sociedade de consumo. As pobres crianças tentaram saída, recorrendo ao misticismo do Leste (no pseudomisticismo de Herman Hesse, na maioria dos casos), ao uso das drogas, o que equivale a montar num tigre (Quem monte num tigre acaba no estômago do tigre...) e, finalmente, encontraram uma causa na guerra do Vietnã, em que era possível, enfim, lutar contra (não por) alguma coisa, a crueldade inominável dos EUA, do establishment, no sudeste da Ásia.

A música foi naturalmente a linguagem mais acessível a essa geração. O socialista Michael Harrington, num dos mais agudos ensaios que já li, observa que os fanhos de Bob Dylan eram uma forma de contestar a cultura cruel que era capaz de criar um Beethoven (Quem pode melhorar Beethoven?) e os horrores tecnológicos do “napalm”, de Hiroxima e Nagasaki. As crianças procuraram um estilo delas, do blue jeans aos cabelos longos, que imaginavam contestação, enquanto os fabricantes de jeans e outros produtos da contracutlura, como a bolinha, diziam “Business as usual”, ou “Caixinha, obrigado”.

Mas crianças envelhecem, Lennon está certo em dizer à “Playboy” que os Beatles não fazem mais sentido em 1980, que os Beatles eram os anos 60, ainda que o verdadeiro motivo dele seja o ódio incontido que revela nesta mesma entrevista contra seu ex-companheiro Paul McCartney (ele e John criaram a maioria das composições mais célebres dos Beatles), porque McCartney continua sendo o músico mais popular do mundo, enquanto que ele, John Lennon, teve uma década de 1970 repleta de fracassos. O último disco que lançou “Double Fantasy”, estava fazendo um certo sucesso e um compacto do dito, “Starting Over”, está entre os dez mais vendidos. Mas Lennon permanecia muito atrás de McCartney. Ringo e Harrison nunca tiveram o mesmo destaque.

O último símbolo de um sonho impossível

Depois da morte de Epstein, os Beatles começaram a se dissolver. São dois os motivos: disputas de espólios da empresa em que eram sócios, a “Apple”, e, principalmente, as mulheres de John e Paul, Yoko Ono e Linda Eastman. Linda é herdeira da Eastman-Kodak, o que dispensa comentários. Foi “groupie” de grupos de rock, ou seja, prestava serviços de cama a qualquer tamborineiro famoso, a pedidos. Conseguiu porém fisgar Paul McCartney e lhe domina a vida, inclusive participando do conjunto dele, “Wings”, apesar de não ter nenhum talento. É mais velha que Paul. Ele parece até hoje uma menina. Esse tipo de mulher é o que se chama eufemisticamente “órgão de alicate”. “Prende” o homem dela em partes vitais. E Linda não se deu com sua equivalente Yoko Ono, que John Lennon, órfão de mãe, bebê e abandonado pelo pai, chamava (e o que mais poderia ser?) de mamãe. Foi o choque entre Yoko e Linda que provavelmente destruiu os Beatles. Yoko, japonesa, se autodescreve como “escultora” e da “alta sociedade de Tóquio”. É quase certamente uma gueixa, mas de “alicate”, e dominou completamente a vida de Lennon, o que ele confessa prazerosamente na entrevista à “Playboy”. Freud explica. Sempre explica.

Se Yoko se arrumou, soube dar a John Lennon fortuna e proteção. Escrevi que Lennon deixa cerca de 150 milhões de dólares. Fracassando em músicas novas nos anos 70 (a começar pelo ridículo LP de 1969 em que ele e a teratológica Yoko posam nus na capa e contracapa, as fotos trazendo má reputação à pornografia), ele, sob a direção do alicate de Yoko, aplicou o dinheiro Beatle, que continua e continuará rendendo, em mansões em Palm Beach, Flórida, Long Island, numa série de fazendas totalizando 1.600 acres n norte de Nova York, em valiosas vacas Holstein (uma foi vendida outro dia por 256 mil dólares...), num iate de quase duzentos metros e no apartamento do Dakota de 28 cômodos.

No auge dos Beatles, Lennon favorecia causas radicais. Marchou contra a guerra do Vietnã. Fez experimentos perigosos com drogas, filmes que contrariavam a moral vigente (um sobre o próprio pênis), se tornou feminista etc. Sob Yoko, milionário, parecia mais criatura de astrologia, comedor de macrobiótica, “mãe de família” (ele cuida do filho do casal, Sean, de 5 anos, enquanto ela dirige os negócios da família), e, coisa inconcebível num radical, chagou a dar uma contribuição de mil dólares para a compra de coletes à prova de bala para a polícia de Nova York, a mesma polícia que sob o pretexto de que era drogado tentou deportá-lo até que todo mundo depôs a favor dele e conseguiu permanecer em Nova York, a polícia que não o protegeu do assassino quando morreu na cidade que mais amou.

A morte dele é o fim de uma época, talvez a última que conheçamos em que uma geração de jovens talentosos, como os Beatles, tentou humanizar o nosso mundo de poderes impiedosos, impessoais e letais. Que John Lennon tenha morrido um milionário egoísta, rancoroso, vivendo no casulo de uma japonesa aventureira, não diminui as boas intenções iniciais dos jovens revoltosos dos anos 60, ainda que o fim dele, mesmo antes de morrer, também revele a ingenuidade dos métodos e aspirações que abraçaram.

Lennon baniu Reagan, Brejnev, Israel, Síria e Jordânia do centro das notícias. Talvez porque a maioria das pessoas reconhecesse nele um ser humano, enquanto que esses outros problemas não podem ser tocados pelo cidadão comum, que, se interessado neles, é submetido à dieta de “press release” dos poderosos. Com Lennon se foi, não só uma era, nos parece, mas um anseio de simplicidades que se tornaram aparentemente impossível em nosso tempo.

segunda-feira, dezembro 18, 2006

he has a typewriter


está tudo escrito ali..
créditos: Emílio e Bonatto

terça-feira, dezembro 12, 2006

Hipótese e Ciência


Quando aprendi as primeiras lições da física e matemática tive a impressão que os grandes filósofos e cientistas usavam as ciências para reproduzir a verdade, e se por acaso, não obtivessem sucesso em sua jornada seria por terem utilizado o método científico erroneamente. Porém qual o papel da hipótese no método científico? Quando o cientista utiliza as ciências para prever e/ou explicar a natureza, automaticamente cria hipóteses que a princípio podem parecer arbitrárias, mas este convencionalismo de princípios e deduções leva a resultados muito próximos aos reais e trata-se apenas de um comodismo. Na verdade o que se busca entender são as relações entre os objetos e não os objetos própriamente, o que seria chegar a uma verdade inalcansável.

Sem dúvida já lhe perguntaram muitas vezes de que serve a matemática e se essas delicadas construções que nós tiramos inteiramente do nosso espírito não seriam artificiais e nascidas apenas do nosso capricho.

Entre as pessoas que formulam essa pergunta devo fazer uma distinção: homens práticos procuram somente uma maneira de ganhar dinheiro. Esses não merecem uma resposta; é antes a eles que conviria perguntar de que serve acumular tantas riquezas se, para ter tempo de adquiri-las, é necessário negligenciar a arte e a ciência, que tornam a alma capaz de aproveitá-las: et proptem vitam vivendi perdere causas.

Pensamentos derivados das suposições filosóficas de um dos grandes matemáticos do século XIX e começo do século XX: Poincaré explica em "Ciência e Hipótese" sobre o convencionalismo.

segunda-feira, outubro 02, 2006

Doces Papéis


Um dossiê na TV
sem querer
fez meu coração parar
e ao conectar minha insônia ao te ver
deixei cada um assumir seu papel
e tudo voltou ao seu lugar...

quinta-feira, agosto 10, 2006

Relativa à Milão


Mil anos se separam
se espalham entre as estrelas
estilhaçadas no vácuo dos sentidos.
Você é o seu pior crítico.
Humoristicamente,
como mil anãs explodindo ao redor,
E mil ilhóis nos dedos.
As mãos cheias de réis
pra pagar aos mil reis.

Romance Policial


Era uma noite fria da madrugada de Iréatuba, José Alves da Fonseca havia abandonado o bar do Seu Antônio e estava tentando abrir a porta do seu fusca estacionado numa rua de paralelepípedos iluminado com luzes amarelas dos postes antigos. O jornalista tinha ido beber com os amigos e estava pensando incomodado no seu recente divórcio, pois, fora um relacionamento conturbado com muitas brigas e discussões. Dirigindo perto da segunda esquina depois do bar vê uma mulher e um homem andando distraidamente e rindo da vida como se naquela madrugada tivessem ido às nuvens. Desacelera, para observar tal cena e eis que encara a mulher, muito bonita e vestida como uma prostituta, e ela retribui um olhar sério e desafiador que penetrou intensamente nos seus pensamentos. Existia algo de sarcástico ou demoníaco no seu olhar e antes dele passar pelos dois pedestres ela anda perigosamente em direção à rua e se joga na frente do fusca de Fonseca sendo atropelada. O homem que a acompanhava teve um ataque histérico e saiu correndo desesperado e Fonseca com os olhos esbugalhados tendo transformado toda a sua bebedeira em lucidez sai do carro para tentar ver o que acontecera à pobre coitada. Havia manchas de sangue no capo do fusca e a moça estava deitada no chão praticamente nua esperando ajuda.
__ Você está bem? Disse Fonseca com a voz trêmula.
Ela apenas gemia de dores e não conseguia falar, talvez por ter tido uma noite viciante e alucinada, e então é carregada até o carro e levada ao hospital.
Antes de chegar ao hospital ela pronuncia as primeiras palavras:
__ Por favor, não me leve pra lá. (Com uma voz muito fraca).
__ Como? Você está com a perna sangrando, como vou saber se você não quebrou nada..!?
__ Eu te imploro, eu não posso ir para lá, você não entende, me leve pra casa.
__ Você está se sentindo bem? A sua perna está boa?
__ Se estiver quebrada eu estarei bem até.. Por favor, me leve na minha casa e lá você faz um curativo.
José Alves concorda finalmente com a moça e depois de perguntar seu endereço à leva para casa.
Era no centro, numa região perigosa e escura, ele estaciona e a leva para dentro da casa. Quando a coloca num sofá velho ela já está dormindo tranquilamente e ele desesperado chora. Lágrimas que nunca brotaram...

Música "acidental" ao texto: Tão menina
Artista: Lobão
Álbum: A vida é doce.
http://www.universoparalelo.com.br

sexta-feira, agosto 04, 2006

Releituras


Publicar em Blogs pode ser um ato que toma um tempo demasiadamente grande e que queima bastante tutano dos publicadores. Você pode publicar, despublicar por achar ruim e ninguém nunca vai ter visto algo que talvez seja inútil mesmo.
O que não pode ocorrer é ter medo de publicar, porque nem crítica, nem aprovação, nem discussão ocorrerá e será inútil denovo..
O que existe entre o "não", o "porquê?", o "sim" e o "hãnm?" é natural e altamente complexo. São expressões do dia a dia, do diálogo, que saem das bocas das pessoas sem querer, e que dizem muito mais do que a ansiedade de cada um em fazer com que as coisas aconteçam da maneira correta.
E as coisas estão ocorrendo da maneira correta.
Portanto Vivemos e sentimos e existimos diferentes, que bom!
Aliás, Existir é sentir o próprio gosto.

Pintando o Poeta


o poeta pinta o rosto do palhaço
um pintor assiste ao fato numa praça da cidade
pessoas apressadas passam rápido
curiosos se esmagam
e escutam versos altos

pintor poeta cara de palhaço
o livro aberto em estardalhaço
pintou poeta em terra de palhaço
um verso um traço um desembarasso

as pessoas saem todas maquiadas
suas idéias enjauladas
numa rotina engraçada
esquecem distraídas suas mágoas
o sono dos vícios e prazeres
dormem antes que seja tarde

Poesia da música PPP (pintor poeta palhaço)
disponível para download e para escutar em:
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=47070
O quadro acima foi pintado por Vicente Roso (1920 - 1996).