Mostrando postagens com marcador musica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador musica. Mostrar todas as postagens

terça-feira, maio 08, 2007

Ópera é "cultura pop"


O Rigoletto de Verdi, no teatro Guaíra, é a nova ópera que está sendo executada pelo Coral Nova Philarmonia, o Balé Teatro Guaíra e a Orquestra Sinfônica do Paraná. Esta ópera de Giuseppe Verdi (1813-1901) foi baseada numa peça de Victor Hugo "Le Roi S'amuse" que trata de um governante desonroso, de uma aristocracia injusta e insensível. No meio desta trama. Verdi utilizou o personagem já criado por Victor Hugo, o bobo da corte "Rigoletto", que zombava dos abusos do rei e só tinha sua filha como único bem. O rei e um grupo de cortesãos unidos pelo cinismo jogam uma praga sobre Rigoletto que acaba sofrendo com o rapto de sua filha, que todos pensavam que era sua amante, e depois com a morte da própria filha num final dramático típico das óperas italianas.
Vale a pena converir dias 4, 5, 6, 8, 9, 10 de maio de 2007 no Teatro Guaíra.

Ópera
A palavra em italiano, significa obra, trabalho, e foi adotada para definir esse gênero dramático no século XVII na Inglaterra, mas as primeiras foram concebidas em Florença no final do século XVI. Pintores, escultores, músicos, escritores e arquitetos da época estavam empenhados em fazer reviver a cultura clássica greco-latina. Tal esforço ganhou a denominação de Renascimento e corresponde a tal período na história das artes.
A ópera resultou da tentativa de se recriar o estilo do teatro grego, sendo os textos falados, declamados e cantados. Mas a música era essencial para isso tanto quanto as palavras, assim como as ações no palco. Isso definia o caráter dos personagens, estabelecia o ritmo da narrativa, exprimia emoções e criava ou aumentava a tensão dramática.
Pouco a pouco as partes faladas do espetáculo foram cedendo lugar às árias, e toda a atenção do público passou a fixar-se nos cantores. O que as audiências da época queriam encontrar num cantor de ópera era a combinação de desempenho cênico com destreza vocal, a orquestra era para proporcionar aos cantores um acompanhamento discreto e as passagens corais eram sumárias. Em meados do século XVIII, o estilo operístico tomou novos rumos e a norma dos espetáculos inconsequentes em termos de drama e narrativa. Compositores do norte da Europa, liderados por Glück, passam a buscar formas de entreterimento mais próximas do drama musical de hoje do que a ópera seiscentista italiana. A ação passa a ser contínua, e as ária, ao invés de inseridas aleatóriamente nas partituras, começam a integrar as cenas e a serem justificadas por elas.

Grandes compositores e grandes óperas:
Monteverdi - Orfeu (1607), A Coroação de Popéia (1642)
Cavalli - L'Egisto (1643), La Calisto (1651)
Glück - Orfeu e Eurídice (1787), Ifigênia em Aulida (1774)
Mozart - As bodas de Fígaro (1786), Don Giovanni (1787), Cosi Fan Tutte (1790), A Fláuta Mágica (1791)
Bellini - A Sonâmbula (1831)
Donizetti - La Cenerentola (1817)
Giuseppe Verdi - Otelo (1887), Rigoletto (1851)
Bizet - Carmen (1875)
Puccini - La Boheme (1896)

quarta-feira, maio 02, 2007

Los Hermanos anuncia Separação

O grupo Los Hermanos anunciou nesta segunda-feira (23/04/2007) um "recesso por tempo indeterminado", segundo nota do site oficial do grupo.
Após 10 anos de trabalho, o motivo para o Los Hermanos dar uma pausa na carreira é a necessidade dos integrantes se dedicarem a outras atividades, e não, o fim da amizade entre os integrantes. "Continuamos jogando truco toda quinta-feira", diz a nota.
A turnê do CD "4", lançado em 2005, chega ao fim. Mas o grupo Los Hermanos vai fazer a "despedida" no Canecão, tradicional casa de espetáculos do Rio de Janeiro, dias 8 e 9 de junho.
O Los Hermanos é formado por Rodrigo Amarante, guitarra e voz, Marcelo Camelo, guitarra e voz, Rodrigo Barba, bateria, e Bruno Medina, teclados.

domingo, abril 29, 2007

SoundPedia - escute suas músicas favoritas


Se você, assim como eu não consegue fazer absolutamente nada sem uma boa música rolando e não tem dinheiro o suficiente para comprar os iPods da vida para carregar suas milhares de MP3s, então seus problemas acabaram! E olhe que nem é uma piada. A solução é o SoundPedia, um site com álbuns completos e vídeo clipes online que podem ser ouvidos e assistidos na íntegra via streaming e com uma uma qualidade impressionante! Nada de ouvir músicas artistas com estilos musicais parecidos com as músicas que você gosta, agora você pode ouvir as suas músicas preferidas sem infringir nenhuma lei e nem prejudicar os artistas. E ainda tem mais, além de ouvir todas as suas músicas prediletas, você ainda pode acompanhar a letra da música e também carregar sua lista de músicas para todos os computadores que você usa, pois com um registro rápido, você ganha o direito de criar uma lista com as suas canções favoritas, e essa lista fica armazenada no site e assim você pode ter suas músicas onde quer que você vá.

Copiado sem dó do blog Sedetário & Hiperativo

sexta-feira, abril 27, 2007

Quer mp3??


Os robôs do Google indexam todo o conteúdo livre que acham pela frente. Assim, além de páginas web e vários formatos de arquivos, o motor consegue indexar pastas inteiras com mp3, filmes, livros e documentos.Muitas pessoas têm diretórios em seus servidores somente para armazenar e compartilhar mp3.

Como o Google vasculha tudo, ele acaba encontrando esses diretórios e indexando-os. Para achá-los, basta usar os parâmetros certos, e discografias inteiras de alguns artistas podem ser encontradas pelo buscador.O parâmetro a seguir encontra justamente essas fontes de mp3. Basta substituir o nome da banda citado aqui pela de sua preferência, ou então pelo nome da música a ser procurada. Pode-se trabalhar na busca também para que o buscador exiba filmes e outros tipos de documentos.

-inurl:html intitle:"index of" "Last modified" mp3 "linkin park"

Sabemos que é ilegal baixar mp3 direto protegidos por direitos autorais sem autorização na internet, mas este é um recurso interessante que pode ser utilizado também para qualquer outro tipo de arquivo.

quinta-feira, abril 19, 2007

Projeto Bandas Curitibanas

bandas da cidade do leitE quentE que você deveria conhecer

O Projeto Bandas Curitibanas surgiu de uma conversa informal (como se existissem conversas formais hehe) dos autores desse blog. O Objetivo é documentar Bandas Curitibanas e divulgar bandas dessas bandas (que horrível).

Diferente de outros projetos no mesmo estilo esse é por essência um projeto livre de obrigações com quem quer que seja e feito para as bandas tão somente. Não temos pretenção nenhuma além de levar aos quatro ventos as bandas de qualidade da nossa Curitiba.

Enfim, acessem Bandas Curitibanas e descubram as bandas que têm medo de aranha marrom. Sugestões também serão muito bem vindas.

Os slogans são de minha (Recka) autoria e qualquer reclamação é comigo em três vias.

E caso você ainda não tenha percebido estamos precisando de um designer para o blog, quem ajudar ganha o ingresso para a festa de amanhã 20/04 no porão rock com as bandas:

Heitor e Banda Gentileza
Sabonetes

quarta-feira, abril 18, 2007

Chet Baker


Chet Baker (Chesney Henry Baker Jr.) (Yale, Oklahoma, 23 de Dezembro de 1929 – Amsterdã, 13 de maio, 1988) foi um trompetista de jazz norte-americano.
Criado até os dez anos numa fazenda de Oklahoma, parte para Los Angeles no final dos anos 30, quando começa a estudar teoria musical. Chet Baker sempre foi influenciado por seu pai, guitarrista, de quem herdou a paixão pela música e de quem ganhou, aos 10 anos de idade, um trombone. Amante do Jazz, não tardou em conquistar o sucesso, sendo apontado como um dos melhores trompetistas do gênero logo em seu primeiro disco.
Ainda bem jovem, passou a integrar o grupo de renome da música americana da época. Seus primeiros trabalhos foram com a Vido Musso's Band e com Stan Getz, porém Chet só conheceu o sucesso depois do convite de Charlie Parker (Bird) em 1951 para uma série de apresentações na costa ocidental. Em 1952 entrou para a banda de Gerry Mulligan, alcançando grande notoriedade com a primeira versão de "My Fanny Valentine". Entretanto, em razão dos problemas de Gerry com as drogas, o quarteto não teve vida longa, sustentando-se por menos de um ano.
O talento de Chet logo o transformaria num ídolo. Apresentou-se por toda América e Europa. Especialistas dividem a vasta obra do músico em duas fases: a cool, do início da sua carreira, mais ligada ao virtuosismo jazzístico e a segunda parte, a partir de 1957, quando a sensibilidade na interpretação torna-se ainda mais evidente.
Avesso às partituras, isto não lhe impediu, entretanto, de integrar as grandes bands americanas.Baker era dotado de extrema criatividade, inaugurando um modo de cantar no qual a voz era quase sussurrada. Chet teria exercido grande influência em músicos brasileiros, como João Gilberto e Carlos Lyra, alguns dos grandes nomes da Bossa Nova. Esta versão é, contudo, bastante controvertida. Sizão Machado, numa visão chauvinista, chegou a dizer, certa feita, que a Bossa Nova é que teria influenciado os músicos americanos, e não o contrário.
Para tocar as músicas pedia apenas o tom. Econômico nas notas (ao contrário de outros tompetistas que preferiam o virtuosismo, como Dizzy Gillespie), Chet improvisava com sentimento. Certo dia, deram-lhe o tom errado de uma música de propósito, e mesmo assim Chet Baker conseguiu encontrar um caminho harmônico. Valorizava as frases melódicas com notas longas e encorpadas, o que acabou lhe valendo o rótulo de cool
No começo dos anos 60, Chet começou realizou diversas experiências com o flugelhorn, instrumento de timbre macio e aveludado.
No entanto, sua gloriosa trajetória na música não lhe rendeu uma vida segura, afastada de problemas. Por causa de seus envolvimentos com as drogas, especialmente com a heroína (durante suas crises de abstinência, que eram monitoradas por médicos, usava metadona), Chet foi preso muitas vezes. Conta-se que chegou a ser espancado por não ter pago uma dívida contraída com a compra de drogas. Este episódio teria lhe rendido a perda de vários dentes.
Para alguns especialistas, as falhas em sua arcada dentária teriam contribuído para uma inevitável piora de sua performance. Contudo, para outros, contraditoriamente, tal fato teria obrigado o músico a se enveredar por outras vertentes e nuances do instrumento, alcançando, deste modo, sonoridades ímpares e inconfundíveis.
Em 1985, Chet Baker esteve no Brasil para duas apresentações na primeira edição do Free Jazz Festival. A banda era formada pelo pianista brasileiro Rique Pantoja (com quem Chet já havia gravado um disco no início dos anos 80 - Chet Baker & The Boto Brasilian Quartet), pelo baixista Sizão Machado, pelo baterista americano Bob Wyatt e pelo flautista Nicola Stilo. A primeira apresentação, no Hotel Nacional, na cidade do Rio de Janeiro, foi considerada decepcionante, mas a apresentação em São Paulo, tida como um sucesso, quase entra para a história do Jazz pela porta dos fundos: depois do espetáculo, já em seu quarto, no Maksoud Plaza, Chet surrupiou a maleta do médico que o acompanhava e tomou doses cavalares das drogas que lhe estavam sendo administradas para controlar as crises de abstinência. Chet teve uma overdose e quase morreu.
Neste mesmo ano, iniciou com Rique Pantoja, em Roma, as gravações de Rique Pantoja & Chet Baker (WEA, Musiquim), que terminariam em São Paulo, no ano de 1987. O LP foi um sucesso de crítica.
Em maio de 1983, durante uma de suas inúmeras viagens à Holanda, produziu gravações com o pianista Michael Graillier e com o baixista italiano Ricardo Del Fra, parceiro do baterista brasileiro Afonso Vieira.
Baker morreria em Amsterdã, de forma trágica e misteriosa, na madrugada de 13 de Maio de 1988, quando despencou da janela do hotel. Até hoje resistem muitas controvérsias sobre a causa de sua partida: suicídio ou acidente?
Chet foi enterrado no "Inglewood Park Cemetery", em Los Angeles.

segunda-feira, janeiro 29, 2007

A Morte de John Lennon

John Lennon chegou mais tarde em casa na noite do dia 8 de dezembro de 1980, contrariando hábitos que adquirira em anos anteriores. Depois de ter ocupado o trono de maior astro da música pop internacional, o ex-Beatle havia se transformado num pacato homem doméstico. Cuidava do filho Sean, então com 5 anos, e preparava-se para lançar o álbum “Double Fantasy”, com sua mulher Yoko Ono. Naquela noite, chegou à uma hora da manhã. Não chegou a entrar no edifício Dakota, em Nova York, onde morava: foi recebido com cinco tiros, disparados por um desconhecido, que saltou do crime para a fama e a prisão. Chamava-se Mark Chapman.

O fundador dos Beatles, espécie de ídolo mitológico da cultura pop, morreu em poucos minutos. Suas últimas palavras foram o próprio nome, anunciado aos médicos que o atenderam ainda no chão, à porta do sombrio Dakota, localizado no lugar mais nobre da cidade que adotara. Lennon, muitos anos antes, no auge do sucesso do grupo que liderou até 1970, chegou a dizer que era mais popular do que Jesus Cristo. Morto, transformou-se em símbolo de renovação dos costumes e da arte nos anos 60/70

A edição da Folha do dia seguinte publicou reportagem de capa da Ilustrada assinada por Paulo Francis, então correspondente em Nova York. Polêmico como sempre, o jornalista tratou o mito com ímpeto iconoclasta. O texto foi abominado por beatlemaníacos. Chamava a viúva, Yoko Ono, de “aventureira japonesa”, que representava o papel de “Madame Butterfly”.

Francis descrevia o ídolo como um homem normal e ressaltou os aspectos econômicos que derivariam, segundo ele, do assassinato. A reportagem, que recebeu o título “Cinco tiros abrem novos negócios”, é aqui reproduzida na íntegra.

Cinco tiros abrem novos negócios,

Paulo Francis

John Lennon, compositor, cantor, músico, o “pai” dos Beatles, foi assassinado à uma hora da manhã (hora de Brasília) de ontem, por um vagabundo, Mark Chapman, que disparou nele seis tiros de um revólver 38, acertando cinco. O crime aconteceu no saguão de um dos prédios mais famosos de Nova York, a oeste do Central Park, o Dakota (que a maioria dos brasileiros conhece como cenário do filme de Roman Polanski “Rosemary`s Baby”, com Mia Farrow e John Cassavetes). Lennon estava acompanhado da mulher, Yoko Ono, e dois cavalheiros ainda não identificados. Chapman esperou por ele horas no saguão, sem ser incomodado pelos agentes de segurança do prédio (cuja maioria dos moradores é celebridade, gente como Lauren Bacall etc.) que provavelmente, como é freqüente em Nova York, estavam bêbados ou dormindo. Lennon tinha 40 anos. Chapman, de Atlanta, Geórgia, conterrâneo de Jimmy Carter, tem 25.

A polícia, chamada ao local, apreendeu facilmente Chapman, que largou o revólver depois de esvaziá-lo, sorrindo, certo (e está certíssimo) que do anonimato se tornará, como Lennon, uma celebridade. Esse o motivo aparente do crime. O canibalismo de celebridades que é rotina neste país (e no Brasil e todo o mundo ocidental), graças a um sistema de comunicações que evita assuntos sérios, mas que fornece um “circo” permanente, obsessivo, avassalador, sobre a vida dos bem-sucedidos e ricos, excitando sentimentos contraditórios, da adoração bocó dos fãs à frustração homicida, que às vezes se manifesta a la Chapman. É tolice atribuir o crime à violência de Nova York. Chapman estava em Nova York havia apenas duas semanas, proveniente de Atlanta (trabalhou um tempo no Havaí, como guarda de segurança, vulgo “vigia”). Em Nova York não é possível comprar armas de fogo sem extensa e prévia investigação policial (estou falando do mercado legal, naturalmente). Em Atlanta, onde recentemente 12 crianças negras foram assassinadas, é possível comprá-las em qualquer armazém...

A polícia de Nova York é treinada em paramedicina. Tentou ressuscitar Lennon, aplicando-lhe técnicas recomendadas, sem sucesso. Uma ambulância recolheu Lennon, que ainda falou aos médicos, dizendo quem era (“Meu nome é John Lennon”) mas foi pronunciado “D.O.A.”, morto ao chegar, no Hospital Roosevelt, a 13 quarteirões do Dakota. A causa: hemorragias incontroláveis.

A nova celebridade, Chapman, está presa. Não precisa declarar nada. Pode exigir a presença de um advogado. Se não tiver dinheiro para pagá-lo, o Estado paga. É a lei. Se for chamado de assassino pela imprensa, um juiz poderá anular o julgamento, considerando-o preconceituoso contra o réu, presumindo-o culpado antes que um júri o condene ou absolva. É também a lei. Mas o provável é que se determine que Chapman é um psicopata, ou seja, passará o resto da vida num manicômio judiciário, vendendo direitos de lhe filmarem a vida, “escrevendo” memórias, vendendo entrevistas etc. Neste país tudo é faturável. A polícia já o chamou de “whaco” (demente, em gíria), pois a polícia conhece como ninguém como funciona o processo judiciário americano.

O canibalismo continua depois da morte. Fãs histéricos cercam o Dakota, cantando músicas dos Beatles. Ringo Starr, o primeiro dos ex-companheiros de Lennon a chegar aos EUA, de Londres, teve de ser protegido pela polícia, em face da malta de fãs que queriam depredá-lo, amorosamente, claro... A aventureira japonesa Yoko Ono, herdeira da fortuna dos 150 milhões de dólares de Lennon, também está representando “Madame Butterfly”, vítima trágica do destino, que lhe roubou o homem amado. Também há bons negócios à vista para a viúva. Todo mundo está faturando, de estações de rádio à TV, que tocam incessantemente as músicas dos Beatles e continuam o canibalismo do cadáver. É a sociedade do consumo, em seu aspecto mais grotesto.

John, Paul, Ringo George, filhos da Guerra Fria

Em nenhuma época um conjunto de música popular fez tanto sucesso como os Beatles. De certa maneira, eles são o símbolo mais à mão da chamada contracultura da década de 1960. Nunca tiveram o prestígio entre as elites do movimento de um Bob Dylan (cujas letras parafraseavam poemas de Eliot e outros heróis do modernismo da alta cultura. Hoje Dylan é um “renascido em Cristo”, à la Jimmy Carter, apesar de judeu de ascendência), ou de Jimi Hendrix, considerado o supremo inovador do rock, que morreu, como sua par, Janis Joplin, de uma dose excessiva de drogas. E só no início, que pouco chegou ao grande público, os Beatles tinha a agressividade da classe trabalhadora inglesa característica dos mais famosos produtos dos “Rolling Stones”, de Mick Jagger (cuja “The Citadel” nos diz mais sobre a guerra do Vietnã do que o excelente filme de Francis Ford Coppola, “Apocalipse Agora”). Os Beatles se sofisticaram muito sob a mão de um gerente de gênio, Brian Epstein, outro viciado em drogas, que se suicidou em 1967, e que, homossexual, parecia exercer uma tutela absoluta sobre os quatro Beatles, Lennon, Paul McCartney, Ringo Starr e George Harrison.

O segredo dos Beatles, depois de “peneirados” por Epstein, é simples: limpeza. O rock nasceu uma mistura de jazz e música montanhesa americana, sob o signo das cadeiras rebolantes de Elvis Presley. Foi, apesar de adorado pela garotada, uniformemente condenado pela classe dirigente americana, de que “Time” era um dos símbolos (até 1968, quando perdeu quase todo o prestígio), e “Time” escreveu longos editoriais sobre a imoralidade de Elvis, “O Pelvis”, como o apelidaram.

Quando os Beatles chegaram ao quarteto final, depois de se chamarem “The Quarrymen” e outros nomes, eles, apesar de virem das favelas de Liverpool, faziam músicas românticas, chorosas, sem qualquer sofisticação de contexto e, depois que Epstein os vestiu de ternos e lhes aparou os cabelos (relativamente), os Beatles produziram um rock acessível aos valores da classe média, sem os “excessos” prévios e posteriores de Elvis e Jagger, respectivamente.

Eles se sofisticaram bastante musicalmente, em “Sgt. Pepper`s”, um disco divertido, de “Lucy” (supostamente sobre LSD, mas Lennon em entrevista a Playboy diz que foi tirado de “Alice no País das Maravilhas”. Ele pensa que isso confere inocência à música. Alice é bem mais pervertida do que LSD...), mas não há dúvida que foram as composições mais simples, “Love Me Do”, “I Wanna Hold Your Hand”, “Help” etc., que lhes angariaram os milhões de fãs, que lhes garantiram a venda de 250 milhões de discos, ou mais, o que levou John Lennon a dizer que o grupo era mais popular que Jesus Cristo. Isso irritou muita gente. Nunca entendi por quê. Jesus não foi popular em vida. Terminou crucificado. Jesus não penetrou no mundo judeu, muçulmano e ateu. Os Beatles penetraram até na URSS (clandestinamente, no mercado negro, mas aos milhões...).

O charme da música deles sempre me escapou, o que deve ser um problema geracional (se bem que o antigo Dylan e o Jagger de “The Citadel” e “Helter Skelter” me diziam muito, não sempre agradável) de quem foi educado sob jazz “hot” e “cool” e o rápido mas inesquecível “bepop”, talvez o maior salto qualitativo da música popular neste século.

Mas, sociologicamente, eles sempre foram interessantes. Aquela choradeira infantil que os celebrizou, o romantismo quase hilariante de baladas como “Yesterday” representavam certamente o estado de espírito de uma geração que emergiu na década de 1960, depois que as tensões totalitárias da guerra fria se abaterem quando Kennedy e Kruschev decidiram não destruir o mundo em face da presença de mísseis nucleares soviéticos em Cuba, 1962.

Não houve o estouro do pós-guerra de 1919 no outro pós-guerra de 1945. Isso porque passamos diretamente aos terrores ainda maiores, nucleares, da guerra fria, que Kennedy e Kruschev diminuíram em 1962, permitindo assim uma verdadeira revolução de costumes, “revolução cultural”, da década de 1960.

A palavra infantilidade não é aqui usada insultuosamente. As crianças da década de 1960, nascidas sob o ruído dos aviões a jato, dos mistérios da eletrônica, sob o terror nuclear, sem qualquer acesso ao poder democrático, já que o poder, dos EUA à URSS, passara a ser exercido por burocratas sem cara, grupos de “experts” cuja sapiência era incontestada, crianças que nasceram quando os conceitos de religião, família e outras âncoras tradicionais haviam desaparecido sob o impacto da revolução capitalista-tecnológica-tecnocrática, tentaram criar o mundinho delas, de “quero segurar sua mão” e “socorro” (este quase um apelo direto). Renegaram a maneira de vestir, a maneira de pensar, a suposta ética de trabalho, de competição (a corrida entre ratos), o totalitarismo cultural da minha e precedentes gerações. Era, claro, uma revolução impossível, pois, em verdade, foi faturada pelas mesmas forças capitalistas, tecnológicas e tecnocráticas que dirigem o mundo. A contracultura nada mais foi que uma variante da sociedade de consumo. As pobres crianças tentaram saída, recorrendo ao misticismo do Leste (no pseudomisticismo de Herman Hesse, na maioria dos casos), ao uso das drogas, o que equivale a montar num tigre (Quem monte num tigre acaba no estômago do tigre...) e, finalmente, encontraram uma causa na guerra do Vietnã, em que era possível, enfim, lutar contra (não por) alguma coisa, a crueldade inominável dos EUA, do establishment, no sudeste da Ásia.

A música foi naturalmente a linguagem mais acessível a essa geração. O socialista Michael Harrington, num dos mais agudos ensaios que já li, observa que os fanhos de Bob Dylan eram uma forma de contestar a cultura cruel que era capaz de criar um Beethoven (Quem pode melhorar Beethoven?) e os horrores tecnológicos do “napalm”, de Hiroxima e Nagasaki. As crianças procuraram um estilo delas, do blue jeans aos cabelos longos, que imaginavam contestação, enquanto os fabricantes de jeans e outros produtos da contracutlura, como a bolinha, diziam “Business as usual”, ou “Caixinha, obrigado”.

Mas crianças envelhecem, Lennon está certo em dizer à “Playboy” que os Beatles não fazem mais sentido em 1980, que os Beatles eram os anos 60, ainda que o verdadeiro motivo dele seja o ódio incontido que revela nesta mesma entrevista contra seu ex-companheiro Paul McCartney (ele e John criaram a maioria das composições mais célebres dos Beatles), porque McCartney continua sendo o músico mais popular do mundo, enquanto que ele, John Lennon, teve uma década de 1970 repleta de fracassos. O último disco que lançou “Double Fantasy”, estava fazendo um certo sucesso e um compacto do dito, “Starting Over”, está entre os dez mais vendidos. Mas Lennon permanecia muito atrás de McCartney. Ringo e Harrison nunca tiveram o mesmo destaque.

O último símbolo de um sonho impossível

Depois da morte de Epstein, os Beatles começaram a se dissolver. São dois os motivos: disputas de espólios da empresa em que eram sócios, a “Apple”, e, principalmente, as mulheres de John e Paul, Yoko Ono e Linda Eastman. Linda é herdeira da Eastman-Kodak, o que dispensa comentários. Foi “groupie” de grupos de rock, ou seja, prestava serviços de cama a qualquer tamborineiro famoso, a pedidos. Conseguiu porém fisgar Paul McCartney e lhe domina a vida, inclusive participando do conjunto dele, “Wings”, apesar de não ter nenhum talento. É mais velha que Paul. Ele parece até hoje uma menina. Esse tipo de mulher é o que se chama eufemisticamente “órgão de alicate”. “Prende” o homem dela em partes vitais. E Linda não se deu com sua equivalente Yoko Ono, que John Lennon, órfão de mãe, bebê e abandonado pelo pai, chamava (e o que mais poderia ser?) de mamãe. Foi o choque entre Yoko e Linda que provavelmente destruiu os Beatles. Yoko, japonesa, se autodescreve como “escultora” e da “alta sociedade de Tóquio”. É quase certamente uma gueixa, mas de “alicate”, e dominou completamente a vida de Lennon, o que ele confessa prazerosamente na entrevista à “Playboy”. Freud explica. Sempre explica.

Se Yoko se arrumou, soube dar a John Lennon fortuna e proteção. Escrevi que Lennon deixa cerca de 150 milhões de dólares. Fracassando em músicas novas nos anos 70 (a começar pelo ridículo LP de 1969 em que ele e a teratológica Yoko posam nus na capa e contracapa, as fotos trazendo má reputação à pornografia), ele, sob a direção do alicate de Yoko, aplicou o dinheiro Beatle, que continua e continuará rendendo, em mansões em Palm Beach, Flórida, Long Island, numa série de fazendas totalizando 1.600 acres n norte de Nova York, em valiosas vacas Holstein (uma foi vendida outro dia por 256 mil dólares...), num iate de quase duzentos metros e no apartamento do Dakota de 28 cômodos.

No auge dos Beatles, Lennon favorecia causas radicais. Marchou contra a guerra do Vietnã. Fez experimentos perigosos com drogas, filmes que contrariavam a moral vigente (um sobre o próprio pênis), se tornou feminista etc. Sob Yoko, milionário, parecia mais criatura de astrologia, comedor de macrobiótica, “mãe de família” (ele cuida do filho do casal, Sean, de 5 anos, enquanto ela dirige os negócios da família), e, coisa inconcebível num radical, chagou a dar uma contribuição de mil dólares para a compra de coletes à prova de bala para a polícia de Nova York, a mesma polícia que sob o pretexto de que era drogado tentou deportá-lo até que todo mundo depôs a favor dele e conseguiu permanecer em Nova York, a polícia que não o protegeu do assassino quando morreu na cidade que mais amou.

A morte dele é o fim de uma época, talvez a última que conheçamos em que uma geração de jovens talentosos, como os Beatles, tentou humanizar o nosso mundo de poderes impiedosos, impessoais e letais. Que John Lennon tenha morrido um milionário egoísta, rancoroso, vivendo no casulo de uma japonesa aventureira, não diminui as boas intenções iniciais dos jovens revoltosos dos anos 60, ainda que o fim dele, mesmo antes de morrer, também revele a ingenuidade dos métodos e aspirações que abraçaram.

Lennon baniu Reagan, Brejnev, Israel, Síria e Jordânia do centro das notícias. Talvez porque a maioria das pessoas reconhecesse nele um ser humano, enquanto que esses outros problemas não podem ser tocados pelo cidadão comum, que, se interessado neles, é submetido à dieta de “press release” dos poderosos. Com Lennon se foi, não só uma era, nos parece, mas um anseio de simplicidades que se tornaram aparentemente impossível em nosso tempo.

quarta-feira, agosto 09, 2006

O papo é: Musica

Robert Leroy Johnson

Image Hosted by ImageShack.us


Cantor e guitarrista Norte-americano de Blues. Johnson é um dos músicos mais influentes do Mississippi Delta Blues e é uma importante referência para a padronização do consagrado formato de 12 compassos para o Blues. Freqüentemente citado como "o maior cantor de blues de todos os tempos", ou mesmo como o mais importante músico do Século XX, embora muitos ouvintes se desapontam ao conhecer o seu trabalho, pois o estilo peculiar do Delta Blues e o padrão técnico das gravações de sua época estão muito distantes dos padrões estéticos e técnicos atuais.

Johnson nasceu em Hazlehurst, Mississippi, filho de lavradores. Sua data de nascimento oficialmente aceita (1911) provavelmente está errada. Registros existentes (documentos escolares, certidões de casamento e certidão de óbito) sugerem diferentes datas entre 1909 e 1912, embora nenhum contenha a data de 1911.

Trabalhou no campo até os 16 anos, quando resolveu seguir carreira artística tocando gaita e violão. Desde então não parou de viajar, tocando em todos os lugares em que pudesse, principalmente na rua.

Gravou apenas 29 músicas em um total de 42 faixas, em duas sessões de gravação em San Antonio, Texas, em Novembro de 1936 e em Dallas, Texas, em Junho de 1937. Treze músicas foram gravadas duas vezes.

Em sua curta carreira profissional, de 1936 a 1938, Johnson não conseguiu em vida nenhum reconhecimento comercial, tocando apenas em prostíbulos e inferninhos. Conseguiu, porém, reconhecimento dos companheiros músicos, tendo recebido ainda em vida o título de "The King of the Delta Blues Singers". Suas músicas continuam sendo interpretadas e adaptadas por diversos artistas, como Eric Clapton, The Rolling Stones, The Blues Brothers e The White Stripes.

Seu estilo diferente de tocar levou outros músicos a dizerem que ele havia feito um pacto com o diabo na encruzilhada das rodovias 61 e 49 em Clarksdale, Mississippi em troca da proeza para tocar guitarra. Este mito foi difundido principalmente por Son House, e ganhou força devido às letras de algumas de suas músicas, como "Me and The Devil Blues" e constantes confusões envolvendo espancamento de mulheres e sua morte misteriosa.

Robert Johnson morreu aos 27 anos, em 1938, após se sentir mal em um show e passar três dias em estado de coma. A versão mais provável e difundida de sua morte foi a de que ele havia sido envenenado por uma amante ou por um marido ciumento. Embora fosse casado pela segunda vez (a primeira mulher havia falecido durante um parto) Johnson nunca havia abandonado a vida de farras. Também existem versões de morte por espancamento, apunhalamento e armas de fogo diversas, mas apenas a versão do envenenamento tem alguma credibilidade.

No início da década de 90 a obra completa de Johnson foi remasterizada e lançada com grande repercussão mundial, tendo sido finalmente reconhecida sua grande influência na música contemporânea.

Interessou-se?
Pode baixar a obra completa em duas partes.
Parte 1
Parte 2


sexta-feira, agosto 04, 2006

Pintando o Poeta


o poeta pinta o rosto do palhaço
um pintor assiste ao fato numa praça da cidade
pessoas apressadas passam rápido
curiosos se esmagam
e escutam versos altos

pintor poeta cara de palhaço
o livro aberto em estardalhaço
pintou poeta em terra de palhaço
um verso um traço um desembarasso

as pessoas saem todas maquiadas
suas idéias enjauladas
numa rotina engraçada
esquecem distraídas suas mágoas
o sono dos vícios e prazeres
dormem antes que seja tarde

Poesia da música PPP (pintor poeta palhaço)
disponível para download e para escutar em:
http://www.tramavirtual.com.br/artista.jsp?id=47070
O quadro acima foi pintado por Vicente Roso (1920 - 1996).

terça-feira, julho 25, 2006

O papo é: Música

Já fui mais chato com música, curtia quase que exclusivamente rock e o metal. Hoje não sou mais assim... é tem oras que chego a escutar Bossa Nova.
Neste primeiro post sobre música resolvi "emprestar" um texto muito interessante do blog "YOU & ME ON A JAMBOREE!" escrito pelo Felix (o link está no final do post), que fala sobre ritmos que tenho curtido muito, o Ska e o Rocksteady, e da sua história ligada a movimentos culturais (MOD's, Rudies e Skinheads).
Em posts futuros vou me concentrar em descrever as fases que o Ska passou durante as ultimas décadas. Boa leitura...

Free Image Hosting at www.ImageShack.us

"Essa história começa na segunda metade dos anos 60, simultaneamente em duas ilhas: Jamaica e Reino Unido. Em Kingston o mercado fonográfico estava á toda e a cada dia surgiam novos artistas tocando o ritmo local que acabava de surgir na ilha, o Ska. Os artistas e selos estavam crescendo e seu campo de atuação também, e o ritmo local da ilha começou a se espalhar por outros cantos do mundo e em especial em outra ilha, o Reino Unido, mais precisamente na Inglaterra. A cultura mod, que trazia scooters, ternos alinhados e gosto pela música negra (R'n'B, Jazz e Soul) estava estourada na terra da rainha e os moleques ligados a essa cultura começaram a ouvir também, além dos ritmos negros norte-americanos, o ska, trazido pelas mãos dos imigrantes jamaicanos que vivam em terras inglesas. O novo ritmo jamaicano ganhou destaque no país e foi inclusive apelidado de bluebeat pelos locais. Seguramente pode-se afirmar que se não fossem os mods o ska não alcançaria o sucesso que alcançou nas paradas inglesas e ao mesmo tempo pode-se dizer também que a cultura mod foi muito influenciada pelo ritmo jamaicanos (inclusive no visual, adaptando o pork pie dos rudies a vestimenta mod). Prince Buster foi o primeiro a emplacar um som no top 40 inglês, com Al Capone. Como já foi citado acima, sem os mods o ska não seria o que foi, e o mesmo se aplica ao Reggae e aos skinheads. Com o passar do tempo a cultura mod foi se dividindo em dois... Hard mods e psicodélicos. Os mods mais psicodélicos, cabeludos, estudantes de moda que estavam começando a ouvir sons diferentes das origens da cultura mod. E os hard mods que iam ao estádio de futebol fazer arruaça, mais rueiros e briguentos, que a cada dia mais estavam envolvidos com a música jamaicana e que mais tarde ganhariam o apelido de skinheads por cortarem seus cabelos cada vez mais curtos em resposta aos mods psicodélicos e aos hippies que surgiam com seus discursos paz-e-amor. Nota-se que a cultura skinhead NADA tinha a ver com racismo, pelo contrário, eram garotos amantes da música negra e que só apareceram graças à essa música e à cultura mod... ISSO é a cultura skinhead ORIGINAL, tudo o que surgiu depois disso é plágio, e plágio mal feito!

Free Image Hosting at www.ImageShack.us

Enquanto isso, na Jamaica a música se modificava rapidamente e o ska já não tinha a mesma batida... A nova batida que surgia foi chamada de Rocksteady e logo deu origem ao ritmo que fez a fama da ilha: O reggae que teve seus anos de ouro na década de 60 até o começo da década de 70, com MILHARES de discos produzidos e surgimento de novos selos, não só na jamaica (muito bem representado por Duke Reid e sua Treasure Isle e por Sir Coxsone Dodd e sua Studio One) como também na Inglaterra (Trojan Records, Pama e subgravadoras em geral) . Ao contrário do que a maioria das pessoas pensam, o reggae não tinha nada a ver com o rastafarianismo no começo, as letras falavam basicamente do cotidiano dos artistas nos guetos e principalmente eram temas de amor... A musicalidade bastante característica, com teclados e riffs de baixo dando o compasso do som mostrava claramente que o novo ritmo era uma evolução do ska... E foi esse reggae que fez a cabeça dos moleques na Inglaterra na segunda metade da década. 66, 67... É nessa época que começa a febre do reggae no país.

Free Image Hosting at www.ImageShack.us

Novamente os imigrantes jamaicanos residentes na Inglaterra, mas desta vez junto com os skinheads foram os grandes responsáveis pelo estouro do ritmo na terra da rainha. Enquanto os skins iam as grandes lojas e pediam cada vez mais discos do novo ritmo, os jamaicanos faziam a mesma coisa nas lojas independentes e de pequeno porte que se instalavam nos bairros mais afastados e ambos pediam aos djs que o novo ritmo fosse tocado. Isso foi o que fez o reggae estourar. Nomes como Laurel Aitken, Clancy Eccles, The Paragons, Toots and The Maytals, Desmond Dekker e até os Wailing Wailers (Bob Marley, Peter Tosh e Bunny Wailer) faziam esse tipo de reggae, que mais tarde foi denominado "Skinhead Reggae" (pela razão óbvia de terem sido os skinheads os maiores ouvintes desse ritmo na época) ou "Early Reggae". E assim como os moleques de Londres sabiam da existência dos seus músicos favoritos, os músicos da Kingston começaram a saber da existência dos garotos de cabeça raspada que veneravam a música jamaicana. Isso fez com que os artistas começassem a escrever temas para os skinheads, como "Skinheads a bash them" escrito por Laurel Aitken e interpretado por Claudette and The Corporation, "Hooligan" dos Wailing Wailers, e até mesmo músicas sem voz mas com títulos que sugeriam a ligação, que é o caso de "Skinheads don't fear" dos Hot Rod Allstars... A banda Symarip, também conhecida como Pyramids ou Seven Letters, que fazia reggae na época lançou inclusive um disco intitulado "skinhead moonstomp", que trazia do começo ao fim músicas citando a subcultura inglesa... Uma jogada e tanto, já que o reggae já estava estourado no país graças aos "homenageados"... Na Inglaterra começavam a surgir artistas tocando o som vindo da jamaica, com destaque para Judge Dread, o primeiro branco a emplacar um hit no top 40 de reggae inglês. Em 1969 a cultura skinhead alcançou seu auge... Uma moda desde os bairros mais pobres até os mais fartos que se espalhou pela Inglaterra e trazia com ela o amor pela música negra, principalmente jamaicana. Com o passar do tempo a cultura skinhead foi "evoluindo" e a partir dos anos 70 foram surgindo cada vez mais "sub-tipos", o que enfraqueceu a cultura. O reggae também não era mais o mesmo. Enquanto na Inglaterra o reggae ganhava novas influências da década que surgia, dando origem ao disco reggae ou club reggae, que era o reggae tocado nas boates londrinas, nas ruas de Kingston o rastafarianismo se popularizava cada vez mais e vários artistas da música popular da ilha começaram a misturar ritmos africanos e temas religiosos a sua música... Assim nascia o roots reggae, mas isso já é outra história..."


Interessou-se?
Clique aqui e conheça mais sobre a música jamaicana. Além de textos o site disponibiliza CD's para baixar.