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quinta-feira, agosto 16, 2007

Quando jogar perde a graça

Suzana Herculano-Houzel

Jonathan Schaeffer, um especialista em jogos de computador da Universidade de Alberta, no Canadá, acaba de provar, após 18 anos de cálculos matemáticos, que o jogo de damas é fadado ao empate. A partir de qualquer um dos 19 lances iniciais possíveis, ninguém ganha se nenhum dos oponentes fizer uma besteira: ganhar nas damas não é uma questão de usar uma estratégia superior, e sim de não cometer erros. Assim é com outros jogos da infância, como jogo-da-velha, senha, o cubo de Rubik e até o recente sudoku: para todos existe algum algoritmo -uma seqüência de lances ou passos- infalível, que resolve o problema ou pelo menos garante o empate. Para alguns, o empate inevitável é suficiente para que damas e o jogo-da-velha sejam declarados "mortos", solucionados. Por que, então, as crianças adoram esses jogos, e por que eles eventualmente perdem a graça?Jogos são extremamente estimulantes para o cérebro enquanto constituírem um desafio. Uma chance razoável de alcançar sucesso serve como motivação para abordar o problema, ou seja, jogar. E sucessos ocasionais, ao manterem o sistema de recompensa interessado e motivado a tentar de novo, aumentam as oportunidades de aprender o jogo e talvez de dominá-lo. Para alguns jogos, como os de estratégia, o domínio completo não acontece: o sucesso dificilmente se torna 100% garantido. Mas, quando o sucesso se torna uma certeza, o sistema de recompensa perde o interesse e, no máximo, joga de novo de vez em quando, para checar se ainda se lembra do algoritmo para resolver o problema. Perder o interesse pelo problema solucionado, por sinal, é ótimo para o cérebro, que abandona o que se tornou trivial e passa a problemas mais difíceis, que aproveitam as capacidades de raciocínio adquirida. E, assim, somos promovidos do jogo de damas ao xadrez, cujo final computador algum ainda consegue antecipar desde a abertura. Os computadores de Schaeffer levaram 18 anos para considerar os caminhos entre os 19 lances iniciais possíveis e as 39 trilhões de posições finais para o jogo de damas e concluir que todos levam ao empate, o que "mata" o jogo. Talvez no mesmo tempo, o cérebro humano aprende a avaliar os lances possíveis para evitar movimentos errados e chegar ao empate -e então também conclui que o jogo perdeu a graça. Sabemos, contudo, fazer algo que os computadores não sabem: reclamar que o jogo perdeu a graça e pedir para jogar outra coisa.

* a figura acima é o tabuleiro do jogo Shogi (Foto do livro "Os melhores jogos do Mundo")
O Shogi seria "parente" do xadrez, na medida em que existem peças com "valores" diferentes, e é jogado sobre um tabuleiro. As semelhanças são que também joga-se para dar xeque-mate, existe promoção e cada peça possui um tipo de movimento. As diferenças começam no tabuleiro: retangular com 9x9 casas sem nenhuma divisão de cor, como já devem ter entendido, as casas não são quadrados perfeitos e por isso o formato do tabuleiro ser retangular".
As peças são pentágonos irregulares com ideogramas dos dois lados e cada uma tem um tipo de movimento. mais informações em: http://www.jogos.antigos.nom.br/go.asp

quarta-feira, maio 30, 2007

Lançamento da Microsoft - Microsoft Surface

Eu estou chocado...
Quando a Xerox lançou, em 1981, sua workstation "Star", só havia uma coisa na mente ( brilhante, diga-se de passagem ) do pessoal de lá: revolucionar a forma como as pessoas usavam computadores. De caixas cinzas com telas verdes, cópias avançadas de máquinas de escrever elétricas, eles se transformaram numa metáfora de algo do dia-a-dia: a mesa de trabalho. O computador passou a ter uma tela gráfica, com pastas, ícones e uma lixeira ( tudo bem, a lixeira não deveria estar sobre a mesa... ). E nós usamos aquela revolução até hoje, agradecidos.

A Microsoft lançou, às 0:01h, algo que pretende revolucionar, novamente, a forma como lidamos com os computadores. Nada de "mouses" ou teclados... apenas o toque!

Apelidado de "Surface", é uma impressionante tela de 30'' montada sobre um computador cujas características não foram completamente reveladas ( Windows Vista, Bluetooth, Ethernet e WiFi são ítens de série ). A tela "reage" a objetos comuns, como blocos de acrílico, pincéis, telefones celulares e, claro, dedos. Aliás, a parte mais interessante é, justamente, usar os dedos. Mais de um. A tela reconhece cada um deles e não "trava" o cursor. Ah... não há cursor. A comparação com "Minority Report" é quase imediata, mas ainda não existe silício estampado sob o vidro: há uma caixa preta debaixo da tela, lembrem-se.

Os vídeos mostram aplicações interessantes, mas que só arranham as possibilidades. Há outro aqui.

Toda a empolgação do pessoal de Redmond parece ser justificada. Desde 2003 o projeto está em gestação e o fruto promete. No entanto, com o preço estimado em US$ 10.000,00 ( lá ) para o Natal deste ano, vai demorar um pouco até termos isso na sala de estar. Se bem que, com a rede Sheraton como parceira, o principal alvo do marketing deve ser mesmo hotéis, restaurantes e afins.

quarta-feira, maio 16, 2007

Podcast do Google para desenvolvedores


Depois de quase todos os times de desenvolvimento do Google possuírem um Blog, chegou a vez de inovar. Agora, o time do Google Code lançou um Podcast, voltado para desenvolvedores e falando um pouco dos engenheiros e desenvolvimento de projetos dentro da Google.
Entre o conteúdo abordado no primeiro episódio, entrevistas com engenheiros, anúncio de novas API's, Projetos OpenSource desenvolvidos e apoiados pela Google, projetos interessantes utilizando as API's e notícias e eventos, como o Google Summer of Code.O primeiro episódio (em inglês) parece realmente bom e pode ser baixado do blog oficial do Google Code.

Dica do blog underGoogle

Não sei bem a quantas anda o público aqui do doces deletérios, mas normalmente coloco aqui o que acho interessante. Por isso se algum leitor quer ver outro tipo de conteúdo aqui pelo menos faz o favor de deixar um comentário...

sexta-feira, maio 11, 2007

Especialista desvenda dúvidas sobre processadores

A não ser que você seja um nerd ou um especialista com amplo conhecimento em hardware, sempre ficam dúvidas relacionadas ao desempenho e aos termos usados e alguns componentes de um computador (Ghz, memória cachê, núcleo duplo ou simples etc).

O site WNews fez 3 pequenas entrevistas com um especialista em processadores para poder tirar algumas dessas dúvidas e ajudar usuários leigos a entender um pouco mais sobre o assunto. Clique nos links abaixo.

O que é GHz? Especialista explica por que este fator não é mais decisivo em relação ao desempenho dos processadores.

quarta-feira, maio 02, 2007

Crowdsourcing

Há alguns meses um artigo na revista Wired chamado The Rise of Crowdsourcing mostrou como a multidão pode ajudar organizações a completar tarefas e diminuir custos. O crowdsourcing é o “novo lugar da mão-de-obra barata: pessoas no dia-a-dia usando seus momentos ociosos para criar conteúdo, resolver problemas e até mesmo para pesquisa e desenvolvimento”.

Netflix
A Netflix é uma locadora de DVD’s dos EUA que aluga filmes pela internet e entrega pelos correios. Quebrou paradigmas e fez a Blockbuster rever seu negócio. Mas o que traz a Netflix para este artigo é que deram um prêmio de U$ 1.000.000,00 (sim um milhão) a quem desenvolvesse um algoritimo 10 % melhor no quesito sugestão de filmes do que o antigo sistema deles. Já que exploram a Cauda Longa dos filmes, queriam que as sugestões atinjissem de forma mais certeira os gostos pessoais de cada um. É a essência do crowdsourcing: colocam a multidão para trabalhar e se alguém conseguir resultados, pagam.

Google
Recentemente o Google lançou um jogo on-line chamado Google Image Labeler. Um claro exemplo de crowdsourcing. As duplas precisam dar nomes às imagens que vão aparecendo na tela. Ganha-se pontos se os dois (desconhecidos entre si, localizados em diferentes partes da Terra) derem o mesmo nome à figura. Parece algo idiota mas é na verdade uma grande sacada. Ao invés de contratar pessoas para identificar as imagens, o Google resolveu usar o poder da multidão para completar a tarefa. Pessoas aleatórias ao redor do mundo jogam em duplas e ganham pontos. Essa é a recompensa delas. Dessa forma o Google consegue identificar milhões e milhões de imagens de forma rápida e barata.


DARPA
Não, nada a ver com o seriado Lost. Lá a sigla onipresente é DHARMA. O DARPA é um órgão militar do governo americano que faz pesquisas. E não é que eles usam o crowdsourcing para melhorar essas pesquisas? Desde 2004 organizam uma competição de carros robôs guiados por inteligência artificial. Já em 2005 um carro totalmente controlado por computadores conseguiu terminar a prova realizada no deserto. O desafio agora é um carro inteligente conseguir trafegar em vias urbanas. Claro, os vencedores ganham um prêmio.

Juntando as peças
A Netflix e o DARPA procuram soluções para seus problemas. Mas investir internamente ou contratar outra empresa para realizar pesquisas sairia muito caro. A solução encontrada é deixar a multidão pensar. Centenas, milhares, talvez milhões de pessoas em um brainstorm. Uma ou outra idéia boa deve surgir, mas quase tudo é lixo. A vantagem: só se paga por resultado, ou seja, o custo pode parecer alto, mas dividido pela quantidade de cérebros envolvidos, acaba sendo um ótimo negócio.


O Google não paga em dinheiro, e sim em pontos. Dos pontos surge um ranking que gera satisfação para os que lá figuram. Tarefa realizada. E melhor: nada de problemas trabalhistas.


Artigo retirado da techbits

sexta-feira, abril 27, 2007

Quer mp3??


Os robôs do Google indexam todo o conteúdo livre que acham pela frente. Assim, além de páginas web e vários formatos de arquivos, o motor consegue indexar pastas inteiras com mp3, filmes, livros e documentos.Muitas pessoas têm diretórios em seus servidores somente para armazenar e compartilhar mp3.

Como o Google vasculha tudo, ele acaba encontrando esses diretórios e indexando-os. Para achá-los, basta usar os parâmetros certos, e discografias inteiras de alguns artistas podem ser encontradas pelo buscador.O parâmetro a seguir encontra justamente essas fontes de mp3. Basta substituir o nome da banda citado aqui pela de sua preferência, ou então pelo nome da música a ser procurada. Pode-se trabalhar na busca também para que o buscador exiba filmes e outros tipos de documentos.

-inurl:html intitle:"index of" "Last modified" mp3 "linkin park"

Sabemos que é ilegal baixar mp3 direto protegidos por direitos autorais sem autorização na internet, mas este é um recurso interessante que pode ser utilizado também para qualquer outro tipo de arquivo.

quinta-feira, abril 12, 2007

O que são feeds?


Imagine que você gosta de várias revistas e livros e geralmente para adquirir estas publicações, você precisa ir a várias bancas especializadas para poder adquirir o que você quer. Agora imagine o comodismo que seria, se todas essas bancas tivessem um serviço de avisar quando cada revista que te interessa chega e ainda, levá-las até a sua casa sem você ter que ligar pedindo? Essa é grande a vantagem na utilização dos feeds.

Feed em inglês (no sentido que nos interessa) significa "alimentador". Os sites que disponibilizam algum tipo de Feed, comumente chamado pelo nome do formato ou por um apelido de XML, RSS, Syndication, Feeds ou Atom, permite você adicionar (alimentar) o link de um ou mais feeds de um ou vários sites em um mesmo "agregador de feeds", que é um programa que administra todos os sites agregados.

O agregador de feeds
Exitem basicamente dois tipos de programa, aqueles que você instala no seu computador (o que eu não recomendo) e aqueles que rodam e funcionam exclusivamente na internet. Eles funcionam mais ou menos como um leitor de e-mail, como o Yahoo ou Gmail, você cria sua conta gratuitamente no Bloglines por exemplo, acessa a página deles, entra com seu login e senha e começa a ler e administrar seus feeds assim como você faz com seus e-mail. Bem simples.

Minha recomendação, é que você utilize um agregador de feeds online, como o Bloglines, e não aqueles que você instala na sua máquina. Com o Bloglines você pode acessar seus feeds de qualquer computador que tenha uma conexão com internet, mas se instalar um destes leitores na sua máquina, você só tera acesso a eles no seu computador.
Para quem usa o Firefox (link para baixar ali ao lado) ou tem uma conta no Gmail (tutorial) também é muito simples adicionar um feed.

Quando você adiciona um link de feed no seu agregador, toda vez que houver algum tipo de atualização no site, você será informado pelo mesmo. Essa notificação de atualização pode ser de uma notícia de um site de jornalismo, de um post dos seus blogs preferidos, artigos, galerias etc, enfim, de qualquer site que possuiu um feed e que você tenha assinado. Feed é o nome do "processo" de agregar ou alimentar um programa leitor de feeds. Outro nome para este processo de distribuição de feeds muito utilizado é syndication. Syndicate em inglês é o nome que se dá a uma agência que distribui material para publicação em várias revistas e jornais. Por isso, se você ver em algum site um botão escrito "syndication", é o mesmo serviço que RSS, XML, Atom e Feed. Na verdade RSS e ATOM são nomes de formatos de feeds, onde ambos são baseados em XML, que é a linguagem utilizada na criação de qualquer outro formato de feeds.

Feeds versus Newsletters
Os feeds aos poucos tem substituindo a função que as Newsletters tinham ao ter que informar por e-mail quais eram as últimas novidades de um site. O problema das newslleters era que se o administrador de um site não montar manualmente uma a cada nova novidade em um site, os leitores nunca seriam avisados dessas novidades. Com os leitores de feeds não, nem o administrador do site e nem o leitor precisa se preocupar, sempre que o site for atualizado, automaticamente o feed também será.

Há vários formatos de feeds diferentes hoje e os mais comuns são o RSS 1.0, RSS 2.0 e ATOM. RSS é o acrônimo de Really Simple Syndication (Publicação - ou entrega - Realmente Simples). O formato Atom está caminhando para se tornar o padrão da internet. Mesmo com um nome diferente, tem as mesmas funções do RSS. Para assinar os feeds do meu site, basta clicar no botão semelhante a imagem do post que fica na lateral do blog ou então insira a seguinte URL direto no seu leitor:
http://feeds.feedburner.com/deguste

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

"Apenas desligue"


O site Shutdown Day está promovendo uma campanha inusitada: um dia inteiro - o próximo 24 de março - sem que se ligue o computador. Pode parecer estranho numa época em que, dizem, não se pode viver sem um PC, mas a idéia é justamente essa: um estudo global sobre a possibilidade de as pessoas ficarem um dia inteiro desconectadas.

O site, que tem páginas em oito línguas (português, inclusive), exibe na capa um contador que mostra quantas pessoas respondem que sim, conseguiriam ficar um dia sem usar o PC, ou que não conseguem. Por enquanto, o número de respondentes "sim" é bastante superior ao de respostas "não".

O site também permite ver os comentários de internautas a respeito da campanha, tem um blog, um fórum e indica vídeos.

Faça como eu, vá dormir... é melhor que ficar na frente do computador em um sábado a tarde. Durante a noite você pode assitir um filminho e tals, dar umas voltas...tah tah chega.

sábado, janeiro 13, 2007

IRMÃOS WRIGHTS vs. SANTOS-DUMONT

Hehehe só para botar lenha na fogueira (retirado do site do CNPq):

Fonte: publicado em 14/12/03, caderno Mais da FSP
- por Salvador Nogueira da Reportagem Local

Na quarta-feira (14/02/03) se completam cem anos do vôo histórico do Flyer, proeza mantida sem provas por cinco anos, período em que o inventor brasileiro criou o 14-bis, que fez seu vôo inaugural em 1906 em Paris

Cara ou coroa: Wilbur vence e sobe no aparelho. Além de Orville, dois homens são chamados para ajudar a empurrar a máquina e soltar a corda que a prendia -o peso do invento impedia a pronta liberação. Wilbur liga o motor. O aparelho começa a se deslocar pelo trilho, descendo uma suave ladeira com inclinação de cerca de nove graus, e Orville corre ao lado dele, equilibrando a aeronave
pela asa direita. Depois de percorrer uns dez metros, ou cerca de três quartos do comprimento total dos trilhos, o veículo já prossegue numa velocidade que Orville não pode acompanhar.

"Eu fiquei olhando enquanto a máquina passava pelo fim do trilho. (...) A máquina apontou para cima e subiu a uma altura de cerca de 15 pés [4,6 m] do chão, num ponto na casa dos 60 pés [18,2 m] além do fim do trilho. Após perder a maior parte de sua altura, gradualmente se afundou no chão, virada para cima em um ângulo de incidência de provavelmente 20 graus. A asa esquerda estava
mais baixa que a direita, de forma que o pouso a atingiu antes", anotou Orville em seu diário, registrando a falha. "O tempo de vôo desde o final do trilho foi de 3,5 segundos para uma distância de 105 pés [32 m]."

Há exatos cem anos, em 14 de dezembro de 1903, terminou em fracasso a primeira tentativa dos irmãos Wrights de fazer voar seu aeroplano motorizado, o Flyer. O teste ocorreu na praia de Kitty Hawk, na Carolina do Norte (EUA), local cuidadosamente escolhido por seus fortes ventos e pela presença de terreno razoavelmente plano e poucos obstáculos no solo. Três dias e muitos reparos
depois, o Flyer foi novamente levado para fora do hangar. Desta vez, caberia a Orville fazer a primeira tentativa, que se deu às 10h35. A decolagem ocorreu muito mais depressa do que no dia 14, auxiliada pelo vento forte. Orville se postou deitado sobre a asa inferior (posição normal para a pilotagem do Flyer). Ele teve pouco tempo para aprender a pilotar o veículo ao deixar o chão. A
aeronave oscilou, subiu, desceu, subiu e desceu, até que, ao final de longos 12 segundos, um pouso suave concluiu o primeiro vôo de um avião.

Wilbur teve sua chance em seguida, reproduzindo o mesmo resultado sob as mesmas condições. O terceiro vôo do dia melhorou o tempo para 15 segundos. E a tentativa derradeira, com o sol a pino, durou 57 segundos, quando foi percorrida uma distância de 260 metros. Os irmãos sabiam que tinham uma bomba nas mãos e, ao final da noite, dispararam um telegrama para o pai, Milton,
residente em Dayton, Ohio.

No centenário da primeira decolagem motorizada, já é mais do que hora de parar de tratar os irmãos de Dayton, Ohio, como farsantes que apenas diziam ter voado antes de Santos-Dumont

"Sucesso quatro vôos manhã de quinta todos contra vento de vinte e uma milhas iniciados do plano somente com força do motor velocidade média pelo ar trinta e uma milhas mais longo 57 segundos informe imprensa casa Natal." Seguindo as instruções dos filhos, Milton notificou a imprensa local. Na edição de 18 de dezembro, O "Dayton Daily News" relatava com orgulho o feito de Orville e
Wilbur. O título da reportagem, hoje, seria ininteligível para a grande maioria dos americanos, mas era altamente elogioso: "Rapazes de Dayton emulam o Grande Santos-Dumont". No Brasil, cem anos depois, todos sabem muito bem a quem o jornal estava se referindo.

Dirigíveis
O curioso é que Alberto Santos-Dumont nem trabalhava com a possibilidade de construir veículos mais pesados que o ar em 1903. Seu foco de atuação então eram os balões dirigíveis, cuja funcionalidade havia comprovado pela primeira vez dois anos antes, vencendo o Prêmio Deutsch, que exigia um vôo controlado de St. Cloud até o coração de Paris, um contorno da torre Eiffel e o retorno ao ponto de partida, em 30 minutos. A circunavegação da torre Eiffel fez com que ele recebesse congratulações de expoentes como os escritores H.G. Wells e Júlio Verne. Outros que reconheceram seu talento foram Samuel Langley, diretor da Smithsonian Institution, dos EUA, e o inventor Thomas Edison. Santos-Dumont adquiriu fama mundial e demonstrou a viabilidade da aeronáutica. Como
ninguém, popularizou o sonho do vôo e, com isso, ajudou a torná-lo realidade. Toda a fama que tem entre os brasileiros é justa. Pena que os motivos sejam equivocados. Santos-Dumont não é o inventor do avião. E, verdade seja dita, nem tampouco o são os irmãos Wrights. Os veículos voadores mais pesados que o ar são, como outras tantas maravilhas do mundo moderno (e a televisão é o
exemplo mais evidente disso), invenções resultantes da contribuição de muitas mentes. Antes que os Wrights criassem seu Flyer, os construtores de bicicletas precisaram aprender tudo que se sabia a respeito do vôo. Enviaram uma carta em 30 de maio de 1899 à Smithsonian, pedindo toda informação disponível sobre o tema. Lá, Langley trabalhava avidamente para desenvolver o primeiro
avião, sem sucesso. Após um período de estudo intenso, Wilbur e Orville começaram a desenvolver planadores. Um de seus contatos mais próximos era Octave Chanute, outro empreendedor interessado no vôo. Solucionaram, com experimentos pioneiros em túnel de vento, o problema da sustentação e do controle com veículos mais pesados que o ar. Aliás, como bem entenderam os irmãos na época, o segredo do sucesso de qualquer avião seria a dirigibilidade. Por isso, se preocuparam em patentear seu invento assim que atingiram
um projeto capaz de dar controle total ao piloto, antes mesmo de dar a ele um motor e hélices.

A patente primordial dos Wrights, datada de 23 de março de 1903, dizia respeito basicamente aos sistemas de manobras de sua máquina voadora. Foi com ela que eles atravancaram enormemente o avanço da aviação americana, nos primeiros anos do século 20. Embora Santos-Dumont tenha passado a se interessar por vôos do mais-pesado-que-o-ar após ouvir de Chanute sobre o suposto sucesso dos irmãos de Dayton, pode-se dizer que sua solução para o design do avião foi obtida de forma totalmente independente. Com sua mentalidade tipicamente ianque, os Wrights pretendiam vender seus aviões e, enquanto não o faziam, hesitavam em realizar demonstrações públicas. Quase três anos depois do primeiro vôo motorizado do Flyer, o brasileiro tentaria sua primeira decolagem com o 14-Bis. Em 7 de setembro de 1906, fez uma tentativa, fracassada, com um motor de 24 cavalos-vapor. Deu apenas um salto de seis metros, muito embora o motor fosse duas vezes mais potente que o do avião dos Wrights em 1903. Trocando por outro de 50 cavalos-vapor, em 23 de outubro conseguiu
fazer um vôo de 61 metros, a uma altura de dois a três metros do solo. Finalmente, em 12 de novembro, o 14-Bis fez seu maior vôo:
220 metros, com altitude máxima de seis metros. Essa decolagem passou à história como o primeiro vôo reconhecido pela Federação Aeronáutica Internacional -um dos argumentos em que se apóiam hoje os defensores da primazia de Santos-Dumont com o avião. Para eles, o reconhecimento imediato é fator de legitimação. "Tenho tentado mostrar que o critério de verdade no início do século exigia a demonstração diante de uma comissão e do público, com anúncio antecipado. Trata-se de uma forma de autenticação. Relatos
testemunhais não tinham peso", diz Henrique Lins de Barros, físico do CBPF (Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas) e estudioso da obra do inventor brasileiro. Ainda que frágil, o argumento é defensável. Muito mais problemáticos são aqueles que se sustentam pela afirmação de que o avião dos Wrights dependia intrinsecamente de uma catapulta para a decolagem. Esse dispositivo foi introduzido apenas posteriormente, para compensar a ausência de ventos que ajudassem o avião a subir. Em 1903, não houve catapulta. Se o vento realmente pudesse ser usado como critério para desqualificar os vôos dos Wrights, o mesmo se poderia dizer do vôo homologado de Santos-Dumont em 12 de novembro de 1906. Depois de três tentativas frustradas de realizar um vôo com mais de 200
metros (parâmetro adotado para a homologação) no campo de Bagatelle, o brasileiro só conseguiu a façanha voando contra o vento e num declive. Lins de Barros, ainda assim, mantém sua posição. "Existem ventos e ventos. É impossível realizar uma prova ao ar livre sem vento. Em 12 de novembro, o vento era muito fraco -segundo a ata, uma brisa-, e o declive, muito pequeno. Isso é bem
diferente de um vento de 21 milhas por hora, que dá algo como 33 km/h. Com esse vento uma asa delta, por exemplo, levanta vôo sem precisar correr na rampa." Apesar de invalidar a decolagem auxiliada pelo vento feita pelos irmãos americanos, Lins de Barros reconhece que os aviões comerciais fazem isso o tempo todo e defende que o mito da catapulta suma do mapa. "O avião escolhe a
melhor posição -dentro das condições do aeroporto- e decola contra o vento", diz ele. "Ficar falando que os Wrights dependiam da catapulta é uma das várias besteiras que devem ser abolidas do vocabulário nacional tupiniquim."

Segredo
Quando do vôo de Santos-Dumont, os Wrights ainda mantinham segredo sobre seus inventos, e o brasileiro foi aclamado no mundo inteiro como o inventor do avião. Mas a primazia foi rapidamente transferida para os EUA quando Wilbur e Orville fizeram as primeiras demonstrações públicas na Europa, em 1908, voando dezenas de quilômetros, e os europeus mal completavam vôos de um quilômetro. Embora não tenha homologado os vôos de 1903, a Federação Aeronáutica Internacional hoje reconhece os irmãos Wrights como os primeiros aviadores. (Aliás, como poderia a FAI, fundada na França em 1905, legitimar um vôo de 1903, mesmo que fosse mais que comprovado?)
Evidentemente, o avião não terminou de ser inventado em 1903. Um processo de longos anos levou às configurações modernas da máquina voadora. A configuração "canard", com leme à frente, foi adotada tanto no Flyer quanto no 14-Bis, mas logo rejeitada. Os "ailerons", pequenas partes móveis que servem como miniasas para controlar o movimento no ar, foram introduzidos só com
Santos-Dumont, mas estavam ausentes no Flyer. Em vez disso, os irmãos adotaram um desenho de encurvamento das asas ("wing warping") para alterar o curso da aeronave, num desenho reconhecidamente bem menos eficiente.
Renegar a importância dos irmãos Wrights na aviação é como questionar o papel de Santos-Dumont na divulgação do vôo (tanto de dirigíveis como de aviões). Com o centenário da primeira decolagem motorizada do Flyer daqui a três dias, já é mais do que hora de parar de tratar a dupla de Dayton como farsantes que apenas diziam ter voado antes do inventor brasileiro.

quarta-feira, janeiro 10, 2007

"Não vai dar certo..."


Um site chamado 2Spare compilou dezenas de previsões furadas sobre o futuro, em diversas áreas, como tecnologia, comunicação, aviação, guerra e outras. Algumas anteciparam o fracasso das "compras à distância" e da "transmissão de documentos por cabos de telefone" antes mesmo de se ouvir falar em Internet e compras online. Nem mesmo cientistas e inventores consagrados, como Thomas Edison e Albert Einstein, escaparam de cometer as suas "gafes".
Abaixo algumas dessas previsões furadas:

Computadores e tecnologia

"Não há razão para que alguém queira ter um computador em casa".
Ken Olson, presidente e fundador da Digital Equipment Corp. (DEC), fabricante de computadores mainframe computers, discutindo os computadores pessoais, em 1977.

"Mas... para o que serve isso?"
Robert Lloyd, executivo da IBM, sobre o microprocessador, em 1968.

"Na medida em que uma calculadora no ENIAC é equipada com 18 mil tubos de vácuo e pesa 30 toneladas, os computadores do futuro deverão ter apenas mil tubos de vácuo e pesar 1,5 mil toneladas".
Revista Popular Mechanics, em 1949.

"Eu viajei por todos os cantos deste país e conversei com as melhores pessoas, e posso assegurar a você que o processamento de dados é uma moda e não vai durar até o final do ano".
Editor responsável por livros de negócios da Prentice Hall, em 1957.

"Esta coisa de antitruste vai passar".
Bill Gates, fundador da Microsoft (data não disponível).

"O potencial mercado de máquinas de cópia é de, no máximo, cinco mil (unidades)."
IBM, para os eventuais fundadores da Xerox, dizendo que as fotocopiadoras não teriam um mercado tão grande que justificasse a sua produção, em 1959.

Internet e comunicação por satélite

"A transmissão de documentos por cabos de telefone é possível, em princípio, mas o aparato requerido é tão caro que nunca irá se tornar uma proposta prática".
Dennis Gabor, físico britânico e autor de Inventing the Future, em 1962.

"A compra à distância, apesar de ser completamente possível, irá fracassar - porque a mulher gosta de sair de casa, segurar a mercadoria, gosta de estar apta a mudar a sua intenção".
Revista Time, descartando as compras online antes mesmo de se ouvir falar nelas, em 1966.

"Não há praticamente nenhuma chance dos satélites espaciais de comunicação serem usados para prover melhores serviços de telefone, telégrafo, televisão ou rádio dentro dos Estados Unidos".
T. Craven, membro do conselho da Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos, em 1961 (o primeiro satélite comercial de comunicações entrou em serviço em 1965).

Telefone

"O telefone tem muitas desvantagens para ser considerado, seriamente, um meio de comunicação. O aparelho não tem valor para nós".
Memorando da Western Union, entre 1876 e 1878.

"Os americanos têm necessidade de telefones, mas nós não. Temos um monte de mensageiros".
Sir William Preece, engenheiro-chefe da Escritório Postal Britânico, em 1878.

"É uma grande invenção, mas de qualquer forma, quem iria usar isso?"
Rutherford B. Hayes, presidente norte-americano, depois da demonstração do telefone de Alexander Bell, em 1876.

Televisão e cinema

"A televisão não vai durar. É uma tempestade num copo d'água".
Mary Somerville, pioneira em radiodifusão educacional, em 1948.

"A televisão não vai durar porque, logo, as pessoas irão ficar cansadas de olhar para uma caixa de madeira todas as noites".
Darryl Zanuck, produtor de cinema da 20th Century Fox, em 1946.

"Quem diabos deseja ouvir os atores falando?"
H. M. Warner, co-fundador da Warner Brothers, em 1927.

Rádio e música

"O rádio não tem futuro"
Lord Kelvin, matemático e físico, em 1897.

"A caixa de música sem fio não tem valor comercial imaginável. Quem pagaria para uma mensagem enviada para ninguém em particular?"
Associados de David Sarnoff, respondendo a um pedido de investimento para o rádio, em 1921.

"O fonógrafo não tem nenhum valor comercial".
Thomas Edison, inventor norte-americano, nos anos 1880.

Automóveis

"O cavalo está aqui para ficar, mas o automóvel é apenas uma novidade, uma moda".
Presidente do banco de Michigan alertando o advogado de Henry Ford para não investir na montadora, em 1903.

"Que o automóvel praticamente chegou ao seu limite é confirmado pelo fato de que, nos últimos anos, nenhum aprimoramento radical foi introduzido."
Revista Scientific American, em 1909

"A 'carruagem sem cavalo' normal é, no momento, uma luxuria para os ricos, e por causa do seu preço, provavelmente vai falhar no futuro. Com certeza, jamais se tornará tão comum como a bicicleta".
Literary Digest, em 1899.

Aviação

"O homem não irá voar em 50 anos".
Wilbur Wright, pioneiro da aviação, ao irmão Orville, depois de uma tentativa fracassada de voar, em 1901 (os dois norte-americanos obtiveram sucesso em 1903).

"Máquinas de voar mais pesadas do que o ar são impossíveis".
Lord Kelvin, matemático, físico e presidente da Sociedade Real Britânica, em 1895.

"Aviões são brinquedos interessantes, mas não têm valor millitar".
Marechal Ferdinand Foch, professor de estratégia da Ecole Superieure de Guerre, em 1904.

"Jamais será construído um avião grande".
Engenheiro da Boeing, depois do primeiro vôo do modelo 247, que tinha motor duplo e transportava 10 pessoas.

Outros temas

"Tudo que pode ser inventado já foi inventado".
Charles H. Duell, oficial do escritório de patentes dos Estados Unidos, em 1899

"Qualquer um familiarizado com o assunto vai reconhecer isso como um evidente fracasso"
Henry Morton, presidente do Instituto de Tecnologia Stevens, sobre a lâmpada elétrica de Thomas Edison, em 1880.

"Um foguete jamais será capaz de deixar a atmosfera da Terra".
Jornal New York Times, em 1936.

"A energia atômica deve ser tão boa como os explosivos de hoje, mas é improvável que produza algo muito mais perigoso".
Winston Churchill, primeiro-ministro britânico, em 1939

"Não há a menor indicação de que a energia nuclear será obtida. Isso significaria que o átomo teria que ser rompido no futuro".
Albert Einstein, em 1932.

P.S.: Este post foi mais um da série "surrupiado sem dó", e pode ser lido originalmente no Procurando Vagas.

terça-feira, julho 04, 2006

O sujeito de sentimentos finitos

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"Era madrugada, o prédio estava vazio, sob a luz fria da luminária ele anotava meticulosamente cada coordenada dos finitos pontos da malha rescém terminada. Era uma terapia, ali era o mundo dele, cada um dos pontos estava sob seu domínio, conhecia a fundo seu modelo, ali nada escapava ao seu olhar atento.
Não, ali não haviam problemas sem solução. Cada elemento era formado por pontos e cada um destes tinha seu lugar. Estes pontos se ligavam a outros inumeros pontos e a malha por sua vez formava o modelo completo sem erros, sem distorções.
Conforme a matrizes agora eram forjadas, tudo se encaixava em harmonia. Uma verdadeira coreografia se iniciava, agora as matrizes eram invertidas, operações diferenciais se dissolviam, 'pequenas turbulências que me conduzem ao resultado' segundo ele. Isso sim era certo, não sua vida, não o espaço vazio que ele mesmo havia se tornado, não o elemento perdido, sem contato, sem coordenada.
Foi quando o verdadeiro 'insigth' veio a tona, após avaliar cada parte do todo chegou ao resultado, agora tudo fazia sentido.
Deixou o prédio, voltou a sua casa. Parou junto à porta do quarto de sua filha e pode a ver dormindo tranquilamente, um breve sorriso e se dirigiu ao seu quarto, lá foi recebido com um beijo caloroso. Assim descobriu o seu lugar na malha da vida, ali ele tinha coordenada e rumo certos. Não importando as turbulências, voltas e reviravoltas."

Quando pretende-se resolver um problema de engenharia, inicialmente busca-se um problema matemático associado que possa representar adequadamente a situação física real em estudo. Porém, os casos práticos são complexos, havendo a necessidade da introdução de muitas hipóteses simplificadoras a fim de permitir alguma forma de modelagem matemática que conduza a soluções mais simples. Normalmente o problema recai em solucionar sistemas de equações diferenciais com a imposição de valores de contorno.
O objetivo da análise via Método de elementos Finitos é aproximar, com certo grau de exatidão, os valores das incognitas que representam as soluções das equações diferenciais que governam o problema que estamos lidando. Tal Método reduz a solução de equações diferenciais á solução de um conjunto de equações algébricas simultâneas que podem ser facilmente resolvidas com o uso de computadores.

Interessou-se?
Aqui você pode saber um pouco mais sobre o método. E aqui você irá a página do Grupo de Bioengenharia da UFPR, que vem aplicando vários conceitos de engenharia (como o método dos elementos finitos) às áreas médica e odontológica.

P.S.: A imagem do crânio é formada por uma típica malha de elementos finitos.